A Explicação deste Padre Famosíssimo sobre Por Que Divórcios Acontecem Pode Surpreender-te (Pe. Artemy)

Um sorriso - brandura, brilho natural e, o mais importante, o calor do amor - sempre traz um resultado positivo quando falamos com uma pessoa que age contra nossas vontades

O Pe. Artemy Vladimirov é um famoso sacerdote Russo, especialmente popular entre a população anglófona de Moscou por sua inteligência e completa maestria da língua Inglesa.

Ele tem uma forte presença na internet, viaja regularmente para os EUA para palestrar e publicou um livro em Inglês em 2010, chamado Fé Luminosa, cuja ênfase é introduzir a espiritualidade Cristã Ortodoxa para Ocidentais (você pode ler todos os artigos que publicamos sobre ele aqui).

O Pe. Artemy é de fala branda, um fenômeno um tanto incomum na Rússia, onde vigorosos sacerdotes que frequentemente falam de maneira bruta e direta estão mais para a regra do que para a exceção. Enquanto isso, ele faz uso de linguagem simbólica e poética, evidenciando sua formação literária. Desta forma, seu estilo não é para todos (diga-nos o que pensa nos comentários!).

Debaixo de sua gentileza, esconde-se uma mente poderosa. 

Neste vídeo ele fala sobre como sorrir mais tem o poder de mudar nossas vidas, melhorar nossos casamentos e até mesmo salvar nossas almas.

Transcrição:

Caros amigos,

Estamos juntos novamente. Eu confesso, é como se eu ouvisse acusações vindas da minha audiência: "Padre, por que o senhor sempre fala sobre coisas pequenas? Por que não fala sobre o futuro do petrodólar? Ou nos revela as cordas da política mundial? Deve a Rússia esperar pelo Ungido do Senhor? Como derrotaremos a corrupção?

Caros amigos, se Deus quiser, vamos discutir essas coisas importantes também. Ao mesmo tempo, um sacerdote não é todo-suficiente, nós não somos o Papa que sugere sua infalibilidade ex cathedra. Mas até mesmo ele sabe os limites de sua competência.

Sendo um homem da pena e da tinta, um professor e educador, estou certo que a História me justificará dessas acusações. Incapaz de abranger o que não é abrangível, estou disposto a concentrar-me nos pequenos detalhes que podem nos ser recompensantes.

Hoje eu gostaria de falar sobre o sorriso. O sorriso é o princípio da amizade, assim como o oceano principia em um rio. Vivendo na Rússia, não estamos acostumados com muitos sorrisos. "A vida é dura", dizem alguns sacerdotes tentando justificar o humor cabisbaixo. Sim, a vida não é feita de mel, imagino que nem mesmo no Ocidente.

Entretanto, para quem a vida é fácil hoje em dia? Contudo, podemos aprender algumas lições de pessoas com bons modos, porque um sorriso, naturalmente, muda o tempo e o espaço se vier do fundo de sua alma, afetando sutilmente o que interlocutor.

Sorrisos tornam o mundo mais rico, mais brilhante, por toda a parte. Sorrisos podem jungir almas com invisíveis fios d'ouro. Talvez eu tenha inventado tudo isso? Citemos o famoso poeta Fiódor Tutchev, filósofo e mestre em psicologia. Eu me refiro ao poema grafado no dia 28 de julho de 1852, "O Sol Brilha, as Águas Cintilam".
 

O sol brilha, as águas cintilam,

sorriso e vida em todo lugar,

as árvores folgam, regalam rejubilam,

no azul celeste, ao se banhar.

As árvores entoam, as águas cintilam,

Com amor o ar se satura,

O mundo com a viva natureza lucilam,

Cheio de vida, se reformula

 

Mesmo em profuso arrebatamento

Por nenhuma força pode ser resistida:

Uma risada capturada no momento -

toda comovente - num'alma abatida...

O poeta se encantou com o sorriso de uma bela moça que sofria arduamente, que tinha seus pesares. Contudo, quando ela sorri quieta e ternamente, tudo se transfigura e a alma do poeta é reconfortada. Um sorriso como um raio de sol na face da moça contrasta aqui com "o banquete dos olhos" que o poeta observa na primavera. Essas luzes se refletem no mar azul celeste. As árvores se movem pelo vento brando, com suas folhas vibrando como se estivessem vivas. As árvores parecem nadar pelos ares com suas delicadas coroas. O ar está saturado deste olor. O mundo natural floresce... A vida reina na primavera.

Todavia, todo este esplendor do Mundo do Senhor empalidece em comparação com um único tenro sorriso de uma alma abatida.

Não sou lírico ou poético como Fiódor Tutchev. Eu gostaria de falar sobre o sorriso em geral, não em conexão com o tenro poeta e a moça.

Somos sacerdotes do séc. XX e estamos no meio da vida. Percebemos conflitos entre maridos e esposas, entre mães e filhos. Por quê? Porque o povo moderno tem o coração surpreendentemente gélido. Uma mãe tenta lidar com a desobediências de seus filhos: ela os critica, franze o rosto, suas palavras são afiadas. Sim, ela deseja o melhor para eles, ela ora pela paz e pela ordem, mas ela mesmo quebra esta paz - lançando, assim, o barco às rochas.

Todavia, um sorriso - brandura, brilho natural e, o mais importante, o calor do amor - sempre traz um resultado positivo quando falamos com uma pessoa que age contra nossas vontades. "Em espírito de mansidão", como nos ensina o Apóstolo Paulo, desejamos restaurar aquele que está em falta.

Por que as pessoas se divorciam? Pela falta de cultura e boa criação? Pela máscara da morte, ou carranca de irritação. Porque nós olhamos uns aos outros por debaixo de nossas sombrancelhas.

Contudo, tudo que precisamos é sorrir e dizer: "Desculpe, eu não quis te ofender".

"Juntemos nossas mãos, caros amigos, e não decaíamos um por um".

A unidade das pessoas que sorriem é esplêndida.

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