ASSISTA: Dicas do Padre Anglófono Favorito da Rússia Sobre Como Curar a Depressão (Pe. Artemy)

Vamos encarar a realidade: As pessoas estão sofrendo porque a verdadeira fonte da alegria está sendo conscientemente afastada de suas vidas

Nota do Editor: Nota do Editor: Eis aqui outra migalha de sabedoria nunca antes traduzida de um padre Russo (Siga-nos no YouTube). Ele não está falando em Inglês aqui, mas quando ele faz, ele é muito bom. Transcrições completas em Inglês após o vídeo.

O Pe. Artemy Vladimirov é um proeminente sacerdote na Rússia, especialmente popular entre a população anglófona de Moscou por sua inteligência e maestria da língua Inglesa.

Ele possui uma forte presença na internet, viaja frequentemente para os EUA para palestrar e publicou um livro em  Inglês em 2010, chamado "A Fé Luminosa", que busca introduzir a espiritualidade Cristã Ortodoxa para os Ocidentais (Transcrições após o vídeo).

O Pe. Artemy é de fala branda, um fenômeno um tanto incomum na Rússia, onde vigorosos sacerdotes que frequentemente falam de maneira bruta e direta estão mais para a regra do que para a exceção. Enquanto isso, ele faz uso de linguagem simbólica e poética, evidenciando sua formação literária. Desta forma, seu estilo não é para todos (diga-nos o que pensa nos comentários!).

Aqui ele fala sobre a Depressão, o mal da riqueza, do mundo libertino... e sobre como reverter a treva em luz.


Transcrição:

Caros amigos!

Muitos de vocês sabem que nos países mais prósperos da Europa, como, por exemplo, a Suécia, as pessoas sofrem de depressão e de um inexplicável baixo-astral. A mesma situação está presente nas cidades que oferecem a vida mais confortável possível, tanto para cidadãos quanto para os supostos refugiados, que recebem 1000 euros por mês mais moradia.

Nos EUA, que é bem conhecido por ter maior o consumo de energia per capta do mundo (maior do que na Europa, sem mencionar os países do Terceiro Mundo), as pessoas não conseguem sobreviver sem psicólogos, psicanalistas, astrólogos e psiquiatras. Quase todos fazendo uso de antidepressivos.

É justo fazer uso de medicamentos em alguns casos, mas quando se fala da maioria da população, então há algo de estranho aqui, não?

Acontece que o nível de prosperidade e o aumento das exigências não traz alegria à alma. Eles não fornecem vivacidade, alegria e contentamento ao coração. Pelo contrário, adolescente elogiados, bem alimentados e com moradia não sabem como lidar com seu vazio interior e como preenchê-lo. Eles sofrem de falta de propósito na vida. Estão em busca de adrenalina, as vezes fazendo coisas terríveis, extremas e suicidas. Outros partem para a agressão irracional, regozijando-se em fazer outros sofrer. O que isto mostra evidentemente? Que a vida sem Jesus Cristo é vazia.

Aqueles que não obtiveram em Jesus Cristo um fundamento e não conhecem o Deus vivo, que se removeram da graça de Deus, não são pessoas por completo, mas apenas bípedes inteligentes que sofrem uma dor interna ininterrupta. Não é seu corpo que está em dor, mas a alma, o ser interior.

Eis o porquê do amado acatisto ao Nosso Docílimo Senhor Jesus (um tipo de hino recitado pelos Ortodoxos, dedicado a um santo, evento sagrado ou à uma das Pessoas da Santíssima Trindade), que lemos com especial atenção e compenetração, conter tais palavras:

Jesus, Alegria do meu coração!

Quão inusitada e surpreendente esta frase soa! Para alguém distante da igreja ou de qualquer sentimento religioso, religião e fé são apenas um ajuntamento de regras, na maior parte das vezes proibições e tabus. Não se pode fazer isto ou aquilo: que vida tediosa! Tais pessoas podem pensar que essas regras devem ser seguidas apenas porque "a mais alta Autoridade está a nos monitorar"...

Naturalmente, uma alma que não possui razão para ser feliz evita desesperadamente tais sermões entediantes sobre moralidade.

Enquanto isso, o Rei Davi, um ancestral do Deus Encarnado, antevendo a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo ao mundo, se dirigiu a Ele, ao Filho de Deus, com as seguintes palavras misteriosas:

"Tu és o lugar em que me escondo; tu me preservas da angústia; tu me cinges de alegres cantos de livramento"
(Salmo 32:7).

Deus é a plenitude que plenifica todas as coisas. Ele é o Salvador, o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, a Fonte, a Razão e o Destino da existência humana. Ele é a fonte que jorra copiosamente. Apenas através da viva união com Jesus Cristo, do misterioso contato com Ele por meio da fé, arrependimento, oração e obediência aos Seus mandamentos, é que nós podemos sentir que nossos corações - estando antes mortos - foram vivificados. O lugar do coração é cheio com uma misteriosa, vivificante e jubilosa água - a graça do Espírito Santo.

Assim, a fé, esperança e o amor são qualidades muito justas, vitais e inspiradoras. Paulo, o Apóstolo, pensando acerca destes frutos da fé, acrescenta a alegria da existência entre os principais. Jesus Cristo se dirigiu uma vez aos Seus seguidores:

“Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus" (Mateus 18:3).

... e reino dos céus não entrará em nós.

Lembremo-nos dos dias áureos da nossa infância. Com 3, 5 ou 6 anos nós podíamos ser felizes com qualquer novo dia. O mundo, maravilhoso e infinitamente diverso, era atraente para nós. Nossa alma inocente se encantava com as cores do verão e do outono. Cada som, linha ou forma, cada pedra, folha e grama eram objetos de nossa longa contemplação e, quem sabe, reflexão (se é que crianças refletem quando estão sozinhas). Isto é um sinal dos que são retos, mansos e humildes de coração, da sábia alma Cristã movida por orações, que percebe o dom da vida como precioso. Se nossa curta vida na terra é tão bela, então o que ou Quem nossa alma julga "mais formoso do que os filhos dos homens" (Salmo 45:2)?

Ele testemunhou acerca de Si mesmo: "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida" (João 14:6). Vida abundante. Ele é a Luz (1 João 1:5), e há vida para todos nesta Luz. Portanto, a verdadeira fé no Cristo Ressuscitado, a fé tangível e quente, antes de tudo, queima no coração como uma alegria misteriosa. "Eureka! Algo me foi revelado! Encontrei aquilo que minha alma buscava desde minha juventude".

Cristo o Salvador é realmente a razão viva de nosso ser. Ele é o exemplo perfeito, o ideal que podemos e devemos nos esforçar para seguir. Ele não é o Absoluto frio, oculto em algum lugar longe de nós. Antes, Ele é o Deus vivo, que nos vê, ouve e ama, que estende Seus braços para nós desde a Cruz. Além disso, Ele nos oferece Seu socorro a cada minuto, ou segundo de nossas vidas. Ele nos auxilia e fortalece, livra-nos das tentações, estendendo Sua mão auxiliadora para nós na luta contra o mal que bate à porta do nosso coração.

"Jesus, Alegria do meu coração!"

Cristãos verdadeiramente crentes começam e terminam seus dias com gratidão a Deus.

"Senhor, obrigado pela noite. Abençoa o dia que virá".

Lembremo-nos de nosso ancestral, o Príncipe Vladimir, o Sol Radiante (Monomach), descendente do Santo Príncipe Vladimir, o Grande. Ele participou de mais de 44 batalhas durante sua vida, rica em acontecimentos. O Príncipe Vladimir Monomach amava a natureza, caçar e o encanto do lar. Ele foi um esposo fiel à sua esposa, sendo de um caráter pacífico que não buscava por guerras. Como ele começava seu dia? Ele se levantava com o sol (daí seu apelido) e imediatamente dirigia uma gloriosa oração ao Criador.

Obrigado, Senhor, por me concederes ver Tua fabulosa luz. Acrescenta à minha vida um mês ou ano, a fim de que eu me arrependa de todos meus pecados e louve Teu Santo Nome.

Assim sendo, a melhor cura para a tristeza e aflição, para os blues e melancolias de Pushkin, para o desespero que as vezes nos alcança, é o amor e a fé em Cristo. Não o tipo de fé que o maligno demonstra (pois ele também crê e treme em Sua presença), mas a fé que faz nosso coração grato a Deus e que deixa um belo sorriso em nossa face. Somos chamados para cumprir uma bela aliança em nossa curta vida, com oração a Deus e amor ao próximo - a razão de ser assim tão bela.

Portanto, não nos esqueçamos das primeiras palavras que Cristo dirigiu aos Apóstolos e às mulheres miróforas, logo após sua ressurreição dos mortos:

“Alegrai-vos. Outra vez vos digo: Alegrai-vos”.

Eis porque o acatisto nos faz pensar sobre as palavras:

“Jesus, Alegria do meu coração!”

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