Porque a Educação Clássica é o Futuro dos EUA, da Rússia e do Mundo

“Mais e mais nações estão voltando-se para as crenças e práticas pré-modernas como moldes de referência para a revitalização da educação clássica... transformando escolas e o currículo educacional em expressões clássicas do aprendizado e revitalizando as noções tradicionais de sabedoria e virtude”.

O Dr. Steve Turley é uma sensação do Youtube em rápida ascenção, autor de vários livros, escritor de blog e especialista em educação. Ele propõe um convincente argumento sobre o iminente retorno mundial dos valores tradcionais em termos de cultura, política e religião. Confira seu fascinante blog e canal do YT!


Existe um termo interessante que é desenvolvido entre os acadêmicos acerca dos últimos vários anos: retradicionalização. Enquanto, certamente parece um pouco pesado, é um conceito um tanto simples e com certeza profundo.

Visto originalmente em: Turley Talks

Diante das ameaças contra um senso de lugar, identidade e segurança tão frequentemente provocadas pela globalização, as populações tendem a reafirmar uma identidade histórica e indicadores de segurança – religião, costume e tradição – como mecanismos de resistência contra as dinâmicas seculares anticultura e antitradição da globalização.

Os acadêmicos estão notando cada vez mais que na medida em que as pessoas sentem-se vulneráveis e experimentam uma ansiedade cultural, não é incomum que reafirmem seus costumes, tradições, cultura, língua e etnicidade como baluartes contra as ameaças aos seu senso de segurança existencial.

Assim, as dinâmicas antitradição inerentes da globalização têm suscitado um renovado interesse nas antigas tradições de sabedoria e virtude de uma cultura que tem provado sua validade através do teste do tempo.

Estas, naturalmente, tendem a ser encontradas em grandes religiões históricas e em tradições e práticas espirituais que parecem transcender a história e, portanto, podem ser estimadas como recursos autenticos não apenas para resistir o processo anticultural e antitradição da globalização, mas também como uma base para a renovação espiritual de uma nação, cultura e religião.

A coisa importante aqui é que a retradicionalização não está limitada simplesmente ao renovar espiritual particular ou ao reavivamento religioso comunitário; antes, isto frequentemente envolve a reconfiguração de normas políticas, culturais e sociais ao redor de crenças e práticas religiosas pré-modernas como uma resposta ao totalizador e secularizante processo da globalização.

Como tal, nós começamos a ver a educação passando por um processo de retradicionalização ao redor de todo o mundo. O explosivo crescimento da educação clássica nos EUA, certamente, não tem passado despercebido; de fato, a educação clássica está tomando a educação domiciliar e também o movimento das escolas charter.

Todavia, não é somente aqui nos EUA; mais e mais nações estão voltando-se para as crenças e práticas pré-modernas como moldes de referência para a revitalização da educação clássica. Este retorno à retradicionalização promete que a educação clássica poderá, de fato, ser a onda do futuro.

Exemplos de educação retradicionalizada abundam. A República da Geórgia tem retornado a um currículo baseado na Ortodoxia para suas escolas públicas.

Temos que lembrar que a Igreja Ortodoxa tem funcionado na Geórgia de forma semelhante como ela funcionou na Rússia pós-soviética; ela preencheu o vácuo moral e cultural deixado pelo colapso do comunismo.

Assim sendo, a igreja permanece extremamente popular na Geórgia; de fato, as pesquisas demonstram com consistência que a igreja é a singular instituição social mais confiável na Geórgia. Portanto, desde 2012, com a eleição de uma administração pró-Ortodoxa, orações, pregações e o ensino da doutrina Ortodoxa tornaram-se centrais ao currículo da escola pública.

Nós estamos vendo algo semelhante acontecendo na Rússia.

Em 2013, o Presidente Putin assinou uma nova lei que tornava obrigatório o estudo da religião para todos os estudantes Russos. Esta medida remonta a 2006, quando regiões de toda a Rússia começaram a exigir o ensino da Ortodoxia Russa em suas escolas públicas, incluindo suas tradições, liturgia e figuras históricas.

Verdadeiramente, O New York Times apresentou um artigo um tanto recente documentando o novo currículo oferecido em muitas escolas públicas da Rússia, que ensinam o básico da fé Ortodoxa, sendo parte daquilo que os Russos estão considerando como necessário para uma verdadeira pessoa bem instruída na era pós-Soviética.

Não são somente culturas Cristãs que estão passando por uma reforma retradicionalizante da educação. Várias relatos noticiários estão surgindo, os quais descrevem a transformação do sistema escolar na Turquia sob o Presidente Erdogan e sua meta de levantar, o que ele chama de, uma “geração piedosa”.

O governo turco está bombeando literalmente bilhões de dólares em escolas islâmicas para rapazes e garotas. A Turquia já removeu o evolucionismo como teoria científica viável do currículo de ciência de suas escolas públicas, substituíndo-o pela teoria do Design Inteligente.

De fato, desde o começo dos anos 80, muito do sistema nacional de educação na Turquia foi islamizado. Por exemplo, a educação antes dos anos 80 tendia a minimizar o Império Otomano e a fazer com que jovens cultos pensassem no secularismo como progressivo e iluminado, e que o globalismo era a onda do futuro.

Todavia, desde a islamização de boa parte do sistema educacional, o Império Otomano foi ensinado como uma sociedade ideal cheia da enriquecedora cultura islâmica que é, em si mesma, a onda do futuro.

Na Índia, sob os auspícios do PPI, ou Partido do Povo Indiano, o partido Nacionalista Hindu que está à frente nas eleições em toda a nação, seu sistema de escolas públicas está cada vez mais adotando o Hindutva ou um currículo distintamente Hindu nacionalista, que envolve orações e hinos devotados aos deuses Hindu através do dia escolar.

Portando, a retradicionalização está ao redor de todo o mundo, transformando escolas e o currículo educacional em expressões clássicas do aprendizado e revitalizando as noções tradicionais de sabedoria e virtude para a pessoa culta.

Os acadêmicos notam o que sugerem cada um dos indicadores, que em muitos aspectos nós estamos apenas começando. Porque as ameaças globalistas, a cultura e identidade nacional permanecerão no futuro previsível, respostas retradicionalizantes a tais ameaças também permanecerão.

Realmente parece que a educação clássica é nada mais, nada menos do que a onda do futuro.