100 Anos Atrás Colonos Alemães Mudaram-se Para as Profundezas da Sibéria - Hoje Eles Prosperam

Eles estão felizes e não planejam ir embora. As casas não estão à venda.

Os Alemães têm se instalado na Europa Oriental desde a Idade Média. Talvez os mais bem conhecidos e aventureiros colonos Alemães no Oriente sejam aqueles que se mudaram para as margens do Rio Volga durante o reino da Imperadora Catarina, a Grande, conhecidos pela história como os Alemães do Volga. Os Alemães étnicos sofreram muitíssimo durante os anos da guerra na URSS, quando muitos foram expulsos de suas casas e enviados para campos de trabalho forçado. Desde a queda da União Soviética, muitos regressaram para a Alemanha.

Contudo, existem ainda muitos Alemães étnicos na Rússia e nas antigas repúblicas Soviéticas, conforme explica o seguinte vídeo da Vesti:


Transcrição:

Os moradores do vilarejo de Apollonovka, localizado no Oblast de Omsk, são os heróis do episódio de hoje. A maioria deles são descendentes de cinco famílias Alemães que se mudaram para a Sibéria Russa desde a Ucrânia no início do século XX. Assim como há cem anos, os Alemães na Apollonovka Siberiana levam sua vida tradicional. Eles estão felizes e não planejam ir embora. As casas não estão à venda.

Anton Lyadov nos dirá o porquê.

Apollonovka. Carros off road Alemães e Nivas Russos dirigem aqui pelas mesmas estradas, ou melhor, direções. Contudo, alguns lugares só podem ser percorridos por carroças. Assim como em muitos vilarejos vizinhos, as estradas aqui são só de nome. Os sinais de limite de velocidade são necessários apenas para incentivar os transeuntes. A civilização mais próxima é pelo menos a uma hora de distância de carro daqui. Todavia, a população aumentou em mais de 100 pessoas nos últimos 10 anos. Atualmente, 960 pessoas moram aqui.

Os locais visitam uns aos outros durante as inundações da primavera, atravessando as planícies alagadas por meio de barcos. As pessoas dizem que esse vilajeiro tem tudo, mas não há nada aqui. Existem várias belas novas casas de tijolos, mas não há fornecimento de gás ou água. Existem alguns grandes complexos industriais, mas quase não há rede de telefonia ou acesso a internet.

O vilarejo é considerado Alemão, mas além dos descendentes dos Alemães que o fundaram no início do séc. XX, o vilarejo também é habitado por Russos e Cazaques. Toda esta rua de chalés fotogênicos e belos jardins é apenas uma das vizinhanças de Apollonovka.

- Agradável à vista?

Yakov Tevs:

- Sim, eu simplesmente gosto do jeito que é.

Yakov Tevs possui um moinho decorativo que ele mesmo construiu, uma casa para visitas e uma gigantesca garagem com vários veículos: dúzias de bicicletas, um veículo para neve, um quadriciclo e uma motocicleta Japonesa.

- Onde você dirige em Apollonovka?

Yakov Tevs:

- Eu simplesmente dou uma volta, às vezes, dirigindo aqui e acolá.

No meio da propriedade, ele tem um hangar que abriga sua própria aeronave. Por vários anos ele tem tentado construir sua própria aeronave. Uma vez ele até mesmo conseguiu  conectar a tora de madeira que era supostamente para ser a fuselagem das asas e um motor.

Yakov Tevs:

- Eu que construí, então eu tinha que pilotar. Eu engatei ela num carro, ela disparou para cima e girou 90 graus.

- Onde você estava?

- Naturalmente, eu estava no cockpit. Ela despencou quebrando sua cauda e uma de suas asas. Eu nem sequer tive um arranhão.

Depois disso, ele comprou e pilota uma aeronave.

Yakov Tevs:

- Eu não faço nenhuma manobra. Eu apenas gosto de voar.

- Por quanto tempo você consegue ficar ocioso em casa?

- Bem, eu consigo passar algum tempo com minha esposa, afinal de contas ela é minha esposa. Contudo, eu ainda passo cerca de 2 ou 3 horas com meus brinquedos.

Uma situação típica em Apollonovka, um caminhão pipa está atolado na lama. Ele fornece água potável para os locais. Agora, eles estão tentando rebocá-lo com uma corrente presa a um veículo off road, mas não parece estar funcionando. Parece que eles precisarão de um trator.

- Não tem jeito?

Yakov Tevs:

- Atolou metade da roda ali.

Os residentes de Apollonovka tiveram que aprender a vive sem um sistema adequado de fornecimento de água. Água potável é distribuída duas vezes por semana. A fim de poupar o tempo do motorista, os moradores de Apollonovka colocam seus galões bem no meio da pista. O caminhão pipa para, enche os galões no mesmo local, coleta os cupons de água que as pessoas deixam amarrados em sacolas plásticas, e segue em frente. A engenhosidade Alemã vem a calhar quando o caminhão pipa não consegue alcançar muitas ruas por causa das fortes chuvas. Muitas casas possuem um sistema de drenagem que enche reservatórios subterrâneos com água, ainda que não seja pura.

Yakov Epp: 

- Esses dois canos dão no subsolo. A água da chuva escorre pelos canos até um reservatório de 25.500 litros. No verão, eu não preciso de abastecimento de água de jeito nenhum. Aqui está a água para o uso doméstico, que vem do telhado, e aqui está a água potável. Eu tenho um tanque especial para a água pura que é entregue.

Outra característica Alemã é uma sauna dentro da casa. É quente dentro, então é mais rápido para esquentar e também é mais barato.

O apicultor Yakov Epp possui um total de três banheiros para seus convidados, para adultos e para crianças. Ele disse que não adianta contá-los. Além de seus filhos, seus amigos e primos sempre estão pela casa.

Yakov Epp: 

- Existe um ditado sobre aqueles que têm muitas crianças em casa: 'Tem tantas crianças aqui, como você não se confunde?', 'Pela noite eu conto até dez crianças e expulso o resto'. Talvez tenhamos que fazer o mesmo, tem muitas crianças aqui".

Existem 54 famílias com várias crianças em Apollonovka.

- Eu tenho 7 filhos e 13 netos.

- Eu tenho 13 filhos e 21 netos. Algumas pessoas aqui possuem 50 netos.

Metade da população do vilarejo é religiosa. As mulheres normalmente não trabalham em famílias Batistas, ao invés disso ficam em casa com seus filhos. Eles falam o dialeto Plautdietsch do Alemão em casa. Seus ancestrais que fundaram o vilarejo costumavam falar o dialeto. Algumas crianças começam a aprender o Russo somente em seu primeiro ano de escola.

Arina Renge, professora: 

- Eles chamam os professores pelos seus primeiros nomes. Eles não sabem como se dirigir formalmente. Eles me chamam de Sra. Renge e continuam a falar comigo como se eu fosse seu coleguinha. É assim que as coisas são. Nós os ensinamos, explicamos isso a eles. Por volta do quarto ano nós temos bons resultados.

A escola tem 197 alunos. Todas as séries não cabem em um só turno, portanto há dois. Ênfase especial é posta sobre o Alemão. Os alunos estudam a língua Alemã clássica.

Yelena Dreh nasceu e foi criada em Alemão.

- Você se senta sozinha para que ninguém copie suas provas?

Yelena Dreh:

- Não.

- Eles ensinam bem o Alemão?

- Bem, o Alemão aqui é bom. Nossa professora sabe muito bem o Alemão.

Sua mãe e seu pai nasceram em Apollonovka, depois se mudaram para a Alemanha, deram à luz a seus filhos, e recentemente retornaram ao vilarejo.

Milena Dreh:

- Nós vivemos lá por 13 anos. Contudo, meu pai sempre quis abrir sua própria empresa aqui.

- Você quer voltar para a Alemanha?

- Eu quero.

- E você?

- Não, eu gosto daqui. Me sinto bem e livre aqui.

Quase todas os negócios locais são familiares. Andrey Pauls conseguiu sua primeira serraria "faça-você-mesmo" de seu sogro, o mesmo Yakov que construiu a aeronave e o moinho. Hoje, ele gerencia uma empresa que fornece produtos de madeira para grandes complexos industriais. Se há algum entrave, ele está disposto a sentar ao volante da carregadeira para mostrar à geração mais jovem como se faz.

Andrey Pauls: 

- Meu pai trabalha como o encarregado no kolkhoz. Ele me disse não faz muito tempo: "eu tenho trabalhado por 40 anos, e ninguém jamais me viu sentado ocioso". Ele sempre está fazendo alguma coisa, pesquisando, avançando e melhorando.

É assim que uma loja Alemã se parece aqui em Apollonovka. Uma fachada modesta, uma bela área cercada destinada ao estacionamento. Os carros estacionam do lado de dentro, já as carroças do lado de fora. A loja não vende álcool ou cigarros. Se você não tiver dinheiro, pode por na sua conta.

- É tudo bem ter menos do que 2.000 rublos na sua conta.

- Mas você precisa conhecer a pessoa, certo?

- É claro.

- Você não vai me deixar pagar depois?

- Não.

Quanto mais problemas Apollonovka tem, as pessoas se esforçam ainda mais. Não há um médico permanente no vilarejo. O assistente médico que trabalha até as 16:42 (conforme a pontualidade Alemã, pelo que parece), vem algumas vezes para cá do vilarejo vizinho, mas a porta permanece fechada na maioria do tempo. Ao mesmo tempo, a taxa de natalidade é alta.

O dinheiro alocado para o reparo da estrada foi suficiente para reparar 200 metros. Os locais arrecadam dinheiro para comprar toneladas de cascalho para despejar nas estradas quando a terra seca. Quando os locais foram informados de que algumas linhas de ônibus estavam sendo canceladas e muitos deles perderam a última oportunidade de deixar o vilarejo a fim de ir até o caixa automático para sacar seus pagamentos, os professores se dirigiram ao Presidente Putin.

Anatoly Makarov: 

- Os funcionários da escola se dirigiram ao presidente, pedindo a ele, não reclamando ou exigindo, mas pedindo, que resolvesse a situação e os ajudasse.

As linhas de ônibus voltaram a funcionar desde então. Em breve a estrada perimetral deve ser reparada. Todavia, os locais permanecem focados.

Yakov Tevs: 

- Nós compartilhamos nossa experiência. Não somos ciumentos, não nos importamos que nossos vizinhos tenham coisas melhores. Esse é nosso jeito de viver. Contudo, algumas pessoas constroem cercas altas para que seus vizinhos não vejam como eles vão. Isso é ruim.

Você começa a pensar, "eu posso fazer isso também". As pessoas trabalham, constroem casas, tentam construí-las boas e confortáveis. Eu não sou pior do que eles. Isso te estimula, estimula muitos de nós.

Durante os turbulentos anos 90, eu disse a minha esposa: "Vamos nos mudar para a Alemanha. Nós ao menos vamos comer frutas lá". Não havia nenhuma fruta aqui por algum tempo. Eu sempre me lembro daquele tempo. Agora, nós temos tudo, temos até fruta. Eu acredito que a vida aqui é mais animada do que lá. Lá existem muitas regulações. Nos foi permitido fazer todo tipo de coisa aqui por enquanto.

- Você quer se mudar?

Anelia Golovyrina:

- Eu não sei. Sempre digo que estamos indo bem aqui. Existem Sírios por toda a Alemanha agora, você acha que lá está melhor? Eu gosto daqui e não quero me mudar. Não preciso de cidades. Eu amo meu vilarejo.

Todavia, Apollonovka não acompanha notícias políticas. A próxima temporada de semeadura é muito mais importante.

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