A Visita de Natal Ortodoxo de Putin a Damasco - Síria em Paz, Enquanto o Resto do Oriente Médio Arde

A imagem do Putin apertando as mãos com Assad, em contraste com as imagens dos mísseis Iranianos lançados nas bases Norte-americanas no Iraque, fornece um ponte de comparação que ressoará nas mentes de todos que buscam estabilidade ao invés do caos e paz ao invés da guerra...

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O presidente Russo Vladimir Putin fez uma visita surpresa de Natal à Síria, onde ele se encontrou com o presidente Bashar al-Assad. A tranquilidade de seu encontro contrasta agudamente com o caos que se desencadeia no vizinho Iraque.

A visita surpresa à Síria, na qual Putin também dirigiu uma mensagem de Natal para as forças Russas estacionadas no país, foi notável. Qualquer visita de um líder nacional para uma zona de guerra estrangeira é, em si mesma, notável. E que não restem dúvidas: a Síria é uma zona de guerra. Todavia, a Síria não é uma zona de guerra qualquer. Ela está no centro de uma complexa trama de violência que envolve uma miríade de atores estatais e não-estatais, incluindo dois poderes atômicos: os EUA e a Rússia.

FOTO: O Presidente Russo Vladimir Putin e sua contraparte Síria, o Presidente Bashar al-Assad, visitam o Patriarca João X de Antioquia em uma catedral Cristã Ortodoxa em Damasco, Síria, no dia 7 de janeiro de 2020. Fonte: © Reuters / Sputnik / Alexei Druzhinin / Kremlin

O conflito também envolve os separatistas Curdos, os rebeldes Sírios, terroristas Islâmicos estrangeiros, o Hezbollah, o Exército Turco e as forças Iranianas e Israelenses, além do Exército Sírio. Embora o conflito Sírio tenha entrado naquilo que a maioria dos analistas creem ser o fim do jogo, com o Exército Sírio auxiliado pela Força Aérea Russa engajado em uma ofensiva final contra o último bastião militante na Província de Idlib, a possibilidade da Síria explodir em violência envolvendo algumas, ou todas, das forças supracitadas é um perigo real e presente.

Enquanto Putin estave em solo Sírio, a Guarda Revolucionária Iraniana (GRI) lançou ao menos uma dúzia de mísseis balísticos de médio alcance em bases Norte-americanas em solo Iraquiano. Esses ataques foram em retaliação pelo assassinato de Qassem Soleimani pelos EUA. Soleimani era um general sênior da GRI, muito amado e respeitado dentro e fora do Irã.

O governo Iraniano delcarou que se os EUA não responderem a essa retaliação, então a morte do General Soleimani terá sido vingada, e a crise encerrada. Se, todavia, os EUA atacarem o Irã, então Teerã tem ameaçado atacar alvos adicionais na região, incluindo Israel e os Emirados Árabes Unidos. Se isso vier a acontecer, então a situação no Oriente Médio se deteriorará em uma guerra generalizada que iria, sem dúvida, se espalhar até Israel.

Putin possui um recorde de visitas à tropas Russas que estão estacionadas em regiões perigosas. Logo após ter recebido a presidência de Boris Yeltsin, Putin fez uma viagem planejada para a Chechênia, na qual se encontrou com soldados em Grozny. Ele fez várias visitas similares à tropas em regiões de conflito no Cáucaso desde então. No ano de 2017, o presidente visitou tropas Russas estacionadas na base aérea de Khmeimim, em Latakia, Síria. Visto desta forma, a visita atual não pode ser chamada de um evento particularmente único. Entretanto, o momento da visita, coincidindo com o aumento da violência entre os EUA e o Irã no vizinho Iraque, é auspicioso.

Putin se encontrou com Assad em um centro de operações militares conjuntas, onde eles receberam um resumo da situação atual da Síria. Os dois líderes então partiram para um tour pela capital Síria de Damasco, visitando os locais culturais e religiosos. As imagens desses momentos - um memorial do relacionamento próximo entre dois aliados de tempos de guerra - contrasta agudamente com o que acontece no Iraque. O Presidente Donald Trump agiu deliberadamente de uma maneira que ao mesmo tempo violava a soberania Iraquiana e quebrava o direito internacional, assassinando um oficial Iraniano, Soleimani, que chegava ao Iraque à convite do primeiro ministro do país, Adil Abdul Mahdi, um antigo aliado dos EUA. Após o ataque, Mahdi fez uma apresentação para o parlamento Iraquiano, apoiando a aprovação de uma resolução que demandasse a saída de todas as tropas estrangeiras do Iraque. E agora, mísseis balísticos choveram sobre bases Norte-americanas em solo iraquiano.

Nos dias, semanas e meses à seguir, os líderes regionais e mundiais estarão engajados em diplomacia conjunta para conter a crise EUA-Irã e prevenir um conflito ainda maior que pode ter consequências extremamente prejudiciais para a paz regional e mundial ou uma solução militar. Todavia, liderança é um caminho de duas vias: respeito não é dado, mas ganho. Do jeito que as coisas estão, os EUA sob o Presidente Trump têm assistido sua autoridade moral para liderar se deteriorando ao ponto que a diplomacia Americana é um pouco mais do que nada.

Muito embora os EUA mantenham um força armada grande e capaz (que o parlamento Iraquiano votou expulsar de seu solo), força bruta apenas não poderá forçar submissão aos objetivos de Washington. De muitas maneiras, o caos que se desdobra no Oriente Médio é um reflexo da perda da credibilidade Norte-americana, ocasionada pelas políticas disfuncionais do Presidente Trump.

Embora não haja forma de prever com algum grau de certeza como tudo transcorrerá, por fim, no Oriente Médio, uma coisa é certa: as nações buscarão alguém para preencher o vazio criado pelo colapso da autoridade dos EUA e sua influência no Iraque. É neste contexto que a visita do Presidente Putin à Síria deve ser analizada. Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras. A imagem do Putin apertando as mãos com Assad, em contraste com as imagens dos mísseis Iranianos lançados nas bases Norte-americanas no Iraque, fornece um ponte de comparação que ressoará nas mentes de todos que buscam estabilidade ao invés do caos e paz ao invés da guerra. Vista desta perspectiva, a imagem diz bastante.

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