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Putin Jura Defender a Igreja Ortodoxa

"O Estado está agora pronto para ir à guerra em prol da Igreja."

O Dr. Steve Turley é uma sensação do Youtube em rápida ascenção, autor de vários livros, escritor de blog e especialista em educação. Ele propõe um convincente argumento sobre o iminente retorno mundial dos valores tradicionais em termos de cultura, política e religião. Confira seu fascinante blog e canal do YT


TRANSCRIÇÃO:

Muito bem, pessoal, o presidente Russo Vladimir Putin jurou defender as igrejas Ortodoxa Russas e monastérios na Ucrânia devastados pela guerra, uma retórica política que não ouvíamos há séculos. E o que isto significa para nosso atual contexto global , é o que falaremos no vídeo de hoje.

Sabe, como um Cristão Ortodoxo, esta é uma das histórias mais tristes que eu já tive que relatar em todos os assuntos e problemas que nós já tratamos juntos nos últimos dois anos. Eu não sei quantos de vocês estão cientes do que está acontecendo na Igreja Ortodoxa, mas realmente é muito angustiante e está certamente tornando-se perigoso em muitos aspectos. Eu li vários comentários sobre toda a situação recentemente, mas o que eu achei mais fascinante nestes comentários é como eles aparentemente ignoram o que é, talvez, o mais importante e singular desenvolvimento que está acontecendo agora mesmo, enquanto falamos, no meio de tudo isto. Eu chegarei nisso em um instante.

Deixe-me dar a vocês algum pano de fundo do que está acontecendo aqui entre a Rússia e a Ucrânia em termos da Igreja Ortodoxa. Estou certo de que muitos de vocês lembram-se do que é considerado, mais ou menos, o começo de toda a Guerra Civil Ucraniana, que foi o conflito armado que aconteceu entre a polícia e os protestantes antigoverno na Praça Maidan no Centro de Kiev. Isto está de volta, agora, em 2014. De fato, os protestantes acusaram o governo de abrir fogo contra eles e de atirarem indiscriminadamente. Seja lá o que tenha sido o caso, o que quer que tenha acontecido, dúzias de pessoas foram tragicamente mortas. Isto incitou, é claro, esta retaliação em massa dentre os cidadãos da Ucrânia, que então, por sua vez, fizeram com que o então presidente Viktor Yanukovych fugisse do país. No meio deste caos basicamente anárquico, a Rússia entrou na Criméia e no Sudeste da Ucrânia, e o propósito do estado era defender os Russos das hostilidades na Ucrânia Oriental. E nós todos sabemos que a Rússia foi adiante para completar a reunificação da Criméia através do referendo subsequente.

Basicamente, apenas no caso de você não saber, a Ucrânia Oriental tende a ser bem pró-Rússia, e mais de 75% da população fala Russo, enquanto a Ucrânia Ocidental é bem, bem nacionalista, muito anti-Rússia, muito pró-Europeu. Muitas poucas pessoas falam Russo na Ucrânia Ocidental. Eu penso que seja apenas 5% ou por volta disso. Assim, no meio deste conflito da Criméia, Ucranianos pró-Russos na Ucrânia Oriental elaboraram uma resposta militar desde Kiev e Ucrânia Ocidental. Foi assim que... a Ucrânia Ocidental começou a reprimir as forças pró-Russas na Ucrânia Oriental. Desde então têm-se uma guerra civil completa.

Agora, consecutivamente, uma pessoa chamada Petro Poroshenko vence uma nova eleição presidencial. Como parte de sua agenda pro-Européia e anti-Russa, ele ativamente inicia o processo de separação da Igreja Ortodoxa Ucraniana de sua jurisdição tradicional, que tem estado por séculos debaixo do Patriarcado de Moscou. Eu penso que é desde o séc. XVI ou XVII, que a Igreja Ucraniana tem sido, de fato, uma extensão da Igreja Ortodoxa Russa, governamentalmente. Mas agora, mais ou menos em resposta à Criméia, Poroshenko e o governo Ucraniano decidiram buscar autonomia da Igreja Ortodoxa Russa, que, naturalmente, é contrariada pelo Patriarca de Moscou, que corretamente sinaliza que nem todos na Igreja Ortodoxa Ucraniana querem autonomia. Ainda, a Ucrania é o lar de milhares de Igrejas Russas e centezas de monastérios Russos, que são predicados por um centenário relacionamento jurisdicional.

Mas então, somente nas últimas semanas, representantes daquela porção da Igreja Ortodoxa Ucraniana que quer a separação de Moscou, convenceram o Patriarca [Ecumênico] Bartolomeu, [quem], da forma como entendo, se você consegue acreditar nisso, esteve tomando conselho sobre esta questão com o antigo Vice Presidente Joe Biden [EUA]. Certo, de todas as pesssoas, Joe Biden! Eles convenceram o Patriarca – que foi uma vez o Patriarca de Constantinopla, o centro do mundo Bizantino, agora, é claro, Istambul. Eles convenceram o Patriarca a conceder autonomia à Igreja Ucraniana, o que ele fez e, claramente, o que enfureceu Moscou. Em resultado disso, como uma resposta, como um protesto a esta decisão muito controvertida da parte do Patriarca Bartolomeu, o Patriarca de Moscou, Cirilo, excomungou [o Patriarca Bartolomeu] de quaisquer laços com a Igreja Ortodoxa Russa.

A Igreja Ortodoxa Russa está agora oficialmente referindo-se a si mesma como a Terceira Roma, como eles têm chamado-se pelos últimos séculos. O centro geográfico e espiritual da Igreja foi uma vez considerado como sendo Roma, isto mesmo, na Itália. Foi então mudado para Constantinopla. Depois, em 1453, quando Constantinopla foi tomada pelos Muçulmanos, o novo centro do Cristianismo Ortodoxo, a Nova Roma, como foi, tornou-se Moscou. A Igreja Ortodoxa Russa excomungou o Patriarca de Constantinopla, como aconteceu, e afirmam ser o centro da identidade Ortodoxa agora.

Agora, conforme eu mencionei, nem todos na Igreja Ortodoxa Ucraniana estão do lado deste esforço chamado “autocefalia”, uma Igreja Ortodoxa Ucraniana autônoma.  Muitos querem ficar sob o Patriarcado de Moscou. Também, o próximo passo em tudo isso é a Ucrânia unir várias igrejas separatistas e pró-Russas em uma única e independente Igreja Ucraniana, o que requer um rompimento de laços entre as paróquias Ortodoxas Russas dentro da Ucrânia e a Igreja Ortodoxa Russa, afim de tornar-se parte de uma nova jurisdição Eclesiástica. E isto, é claro, envolveria, ao menos potencialmente, tomar mais de 12.000 igrejas e mais de 200 monastérios que pertencem a Igreja Ortodoxa Russa. É aqui que o Vladimir Putin entra.

O presidente Putin emitiu um parecer, através de um de seus oradores oficiais, que ele irá defender absolutamente os interesses dos Russos e dos falantes Russos, que defenderá absolutamente os interesses da Igreja Ortodoxa Russa na Ucrânia. Ele afirmou que, de fato, ele está comprometido em proteger e defender os Ortodoxos Russos de qualquer atividade ilegal ou hostil perpetrada contra eles dentro das fronteiras da Ucrânia.

Agora, aquilo que está deixando a todos nervosos é precisamente este tipo de retórica que o Putin usou em relação à Criméia. Vocês devem lembrar-se de que os Russos vêem a Ucrânia como uma parte intrínseca da Russa. O príncipe Vladimir, o que trouxe a Ortodoxia para a Rússia – ele foi batizado na Ucrânia, na Criméia, de fato. Portanto, isto obviamente tornou-se em uma situação muito, muito tensa.

Desta forma, o que devemos pensar disso tudo? Bem, eu julgo que a mais importante e singular lição que tomamos de tudo isso, nós que estamos analisando onde estamos no cenário mundial contemporâneo no que tange a nossa história, a mais importante e singular lição é que o Vladimir Putin, ao declarar que ele irá defender e proteger a Igreja, a Igreja Ortodoxa Russa, Putin está usando uma linguagem que não havia sido ouvida de nenhum líder político em séculos – literalmente em séculos! O Estado está agora pronto para ir à guerra em prol da Igreja. Vocês precisam deixar que isso os atinja. O Estado está agora pronto para ir à guerra em prol da Igreja! Pessoal, isto é que é a lição mais importante nisto tudo.

A retórica do Putin exemplifica que nós estamos, de fato, entrando naquilo que chamamos aqui neste canal de uma ordem mundial pós-secular. Acadêmicos estão fazendo muitas pesquisas agora, especialmente em termos de relações internacionais. As relações internacionais são notoriamente seculares em seus moldes de referência, sendo elas modernas. Religião é simplesmente irrelevante para a ordem moderna, globalista e internacional e para sua visão de mundo.

Em uma era secular, é absolutamente impensável que o estado, em tempo algum, entre em guerra por causa da Igreja ou qualquer outra instituição religiosa sequer. Sabe, é algo que as retrógradas nações do Oriente Médio fazem, ou algo assim. Tudo isto está a mudar enquanto falamos! Como nós falamos todo o tempo neste canal, sentimentos nacionalistas renovados envolvem aquilo que é chamado de “dinâmica retradicionalizadora”, que reafirma as religiões, os costumes e as tradições de uma nação que abriga uma identidade nacional, cultural e religosa única. Portanto, enquanto uma sociedade secular não poderia se importar menos com a religião, a sociedade pós-secular está, certamente, disposta a defender sua religião. Eu penso que estamos vendo isto aqui, com os comentários de Vladimir Putin.

Uma importante advertência aqui, para manter-nos honestos: julgo que seja importante qualificar isto com outra conclusão que os acadêmicos alcançaram, que é um completo e total mito dizer que religiões causam guerras, que as religiões estão desordenadamente propensas a provocar guerras. Este é um mito moderno e secular, que religiões causam guerras. Acadêmicos como William Kavanaugh têm demonstrado que isto é completamente falso. Desta forma, nós não desejamos interpretar o que está acontecendo entre a Rússia e a Ucrânia sob esta luz. É melhor, penso, interpretar desta maneira: enquanto é um mito dizer que religiões causam guerra, não obstante, em uma sociedade pós-secular, as nações IRÃO à guerra em prol de suas religiões. Enquanto não seja o caso de que religiões CAUSEM guerras, as sociedades pós-seculares IRÃO à guerra em prol de suas religiões. Isto é uma distinção muito importante, julgo, que precisamos fazer aqui.

Assim sendo, a retórica do Putin é um claro indicador de que nós estamos, sem dúvida, entrando em uma ordem mundial pós-secular e, certamente, pós-globalista.

No meio tempo, nós iremos manter nossos olhos voltados para esta situação muito trágica, orando para uma pacífica resolução no que toca tanto a Igreja quanto o Estado, nos meses que se seguirão