"Por Que Deixei a Igreja Grega pela Igreja Russa" - Padre Ortodoxo Explica

"Eu não poderia com a consciência limpa... Eu não poderia servir ao Patriarcado de Constantinopla depois que ele avançou e cometeu tais atos contra o Evangelho e contra a tradição canônica da Igreja Ortodoxa, estabelecendo-se como uma espécie de Papado Oriental... "

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No seguinte vídeo, o Pe. Ioannis Fortomas explica as razões pelas quais ele deixou a Igreja Ortodoxa Grega e se juntou à Igreja Ortodoxa Russa. Uma transcrição está disponível abaixo.

TRANSCRIÇÃO:

Boa noite a todos. Já se passaram cerca de 24 horas desde que anunciei a vocês nas redes sociais que me filiei à Igreja Ortodoxa Russa. Então, tem sido realmente uma bênção para mim e para o meu sacerdócio que Sua Eminência, o Arcebispo Gabriel de Montreal, no Canadá, tenha me recebido no início deste mês em sua diocese.

Muitos de vocês me perguntaram desde que anunciei esta mudança muito importante em minha vida, muitos de vocês me fizeram perguntas diferentes, que por fim todas se resumem na seguinte pergunta: por que um Padre Ortodoxo Grego ingressaria na Igreja Ortodoxa Russa?

Portanto, este vídeo é uma tentativa minha de responder a essa pergunta muito importante e fundamental, e o início da resposta a essa pergunta realmente começa em um país que não é a Grécia e nem o Canadá. Chama-se Ucrânia. Agora, uma série muito interessante de eventos ocorreu na Ucrânia que afetou todas as nossas vidas nos últimos dois anos, especialmente a partir de 2018, e é o seguinte:

In 2018, the Patriarchate of Constantinople granted legitimacy to two groups or three groups of schismatics na Ucrânia e os declarou uma igreja autocéfala. Uma igreja autocéfala canônica entre aspas. Muitos de vocês podem estar se perguntando se sabem o que é um cisma? O que é uma igreja autocéfala? Então, realmente, requer uma breve explicação sobre o que é a Igreja Ortodoxa, como ela é governada?

Sim, como confessamos no Credo, a Igreja Ortodoxa é Una. É a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica. Então, quer seja a Igreja Ortodoxa Sérvia, ou a Igreja Ortodoxa Grega, ou a Igreja Ortodoxa Romena, todos elas são parte da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica - partes distintas de uma mesma Igreja. Você também poderia dizer que a única Igreja não está dividida, mas - o que é um termo melhor - organizada. Ela está organizada em uma família de 14 lares diferentes, que chamamos de Patriarcados e Igrejas Autocéfalas.

Agora, sem entrar nos detalhes de, vocês sabem, quais são as 14 (Igrejas), muitos de vocês sabem que essa informação é facilmente encontrada na internet. Eu não vou abordar nada disso. Mas direi apenas brevemente que o Patriarcado de Constantinopla, voltando novamente para a Ucrânia, decidiu em 2018 que iria conceder o status de autocéfalia a um grupo de cismáticos na Ucrânia. Isso os criaria e os incluiria nesta família de igrejas sem o consentimento das demais e, mais importante ainda, além disso, fê-lo às custas da Igreja canônica na Ucrânia, chefiada por sua Beatitude, o Metropolita Onúfrio de Kiev e toda a Ucrânia.

A Igreja canônica na Ucrânia é uma igreja autônoma dentro do Patriarcado de Moscou. Assim, o Patriarcado de Constantinopla, não só legitimou os cismáticos, mas o fez às custas da Igreja Ortodoxa Ucraniana canônica, à qual pertence a maioria dos crentes na Ucrânia, e que desencadeou uma série de eventos muito infelizes. Você conhece eventos onde, por exemplo - e isso é facilmente verificado nas redes sociais ou apenas fazendo uma rápida pesquisa no Google - onde cismáticos, sabe, tomam uma paróquia, isto é, a ocupam, e eles batem nos Padres, eles espancam os crentes, muitas vezes até virarem um borrão, e muitas vezes, sabe, diante das vistas grossas da polícia e das autoridades estaduais.

Portanto, um comportamento muito, muito anticristão, contrário ao evangelho, foi decretado na Ucrânia e realmente foi carimbado pelo Patriarcado de Constantinopla.

Então, você me dirá, me perguntará: "Bem, o que isso tem a ver com você e o que isso tem a ver conosco?". Quando um membro do corpo de Cristo sofre, os outros membros também sofrem e, em algum momento, alguém tem que se levantar e dizer "Pare!" em razão dos resultados do cisma. Um cisma, como acabei de afirmar, não traz nada de bom para todos os envolvidos.

Os resultados do cisma estão se fazendo sentir dentro da Ortodoxia Grega, e eu apenas gostaria de dizer neste ponto que é claro que não existe uma Igreja Ortodoxa Grega unificada. Sabe, você tem o Patriarcado de Constantinopla, você tem o Patriarcado de Alexandria, o Patriarcado de Jerusalém, a Igreja da Grécia, a Igreja do Chipre, diferentes unidades administrativas, mas uma por uma, todas estão apoiando o Patriarcado de Constantinopla (exceto para o Patriarcado de Jerusalém).

Os efeitos do cisma já permearam completamente o mundo Grego Ortodoxo, e há questões que existem, como a validade dos sacramentos daqueles que estão no cisma. A resposta curta é que não, seus sacramentos não são válidos, mas se formos um passo adiante, descobriríamos que essas pessoas nem mesmo têm sucessão apostólica, que descendem, seu "sacerdócio", entre aspas, descende de pessoas que formam um clero auto-consagrado, auto-consagrados ao sacerdócio (o arcipreste Vasyl Lypkivsky foi "consagrado" ao "episcopado" pelo clero e leigos em um concílio latrocida em Kiev em 23 de outubro de 1921, quando a "Igreja Autocéfala Ucraniana" passou a existir.)

Então, de fato, é a legitimação de uma farsa total, de uma farsa total, e neste ponto, quero dizer, isso trai um total, um cruzamento total de uma linha vermelha muito, muito real na igreja a respeito dos cânones da igreja e dos dogmas e a ordem geral da Igreja Ortodoxa.

Então, tomei a decisão de entrar para a Igreja Ortodoxa Russa com base nisso, não com base em algum tipo de ideias abstratas sobre o que está acontecendo em algum lugar qualquer.

Eu vi os resultados do cisma na Ucrânia bem diante dos meus olhos no tempo em que servi como sacerdote na Hungria, por empréstimo ao Patriarcado Ecumênico. Eu vi os resultados do cisma e cheguei a um ponto em que não poderia com a consciência limpa, não poderia servir ao Patriarcado de Constantinopla depois que ele avançou e cometeu tais atos contra o Evangelho e contra a tradição canônica do Igreja Ortodoxa, configurando-se mais ou menos como uma espécie de papado oriental.

Então, pessoalmente, cheguei a um ponto em que não me sentia mais capaz de celebrar a liturgia, servindo nessas condições. Cada liturgia, acredite em mim, foi uma tortura. Foi uma tortura, uma tortura literal, tentando passar por isso. Cheguei a um ponto em que não poderia mais servir nessas condições. No entanto, ao mesmo tempo, a atitude dos Bispos Ortodoxos Gregos em relação a mim mudou, à medida que perceberam as opiniões que eu tinha. Portanto, é uma decisão muito natural entrar para a Igreja Ortodoxa Russa. Ao tomá-la, Sua Eminência, o Arcebispo Gabriel, foi muito generoso comigo, ao me abençoar para continuar a servir em Grego. É claro que isso significa que não estou servindo a mim mesmo, mas a vocês, o fiel povo de Deus.

Não é a primeira vez que clérigos Ortodoxos Gregos se unem à Igreja Ortodoxa Russa, especialmente em períodos da história tumultuados e repletos de controvérsia, e estou pensando especificamente em dois homens. Evienos Vulgaris é um deles. Ele foi o Metropolita de Gerson no que hoje é a Ucrânia, e o outro foi Nikiforos Theotokis.

Então, de fato, não foi a primeira vez que a Igreja Ortodoxa Russa ajudou os Cristãos Ortodoxos Gregos. Há muitos exemplos ao longo da história recente em que isso aconteceu, e onde lhes permitiu viver sua fé Ortodoxa Grega livremente, sem quaisquer pressões externas ou, na verdade, sem quaisquer exigências, por isso estou muito grato por esta oportunidade.

Neste ponto, gostaria de anunciar a vocês que todos os sábados estarei servindo a divina liturgia na Igreja Ortodoxa Russa da Santa Proteção em Hamilton (10h00 @ 77 Sanford Ave S. Hamilton), de acordo com o uso da Igreja Ortodoxa Grega, mas em Inglês e em Grego, e espero sua participação na santa liturgia... Se Deus quiser, esperamos fazer uma vigília litúrgica de acordo com o Typicon Atonita em Grego na véspera do Natal, de acordo com o calendário juliano, no próximo dia 6 de janeiro à noite. O serviço começará por volta das 23h00 e terminará por volta das 14h30-3h da manhã. Vamos servi-lo de acordo com o Typicon Atonita...

Portanto, espero encontrar muitos de vocês nessas ocasiões litúrgicas... Resumindo, se você está interessado em que a liturgia seja celebrada para sua família de segunda a sexta-feira, em uma dessas manhãs, você deve se comunicar comigo com pelo menos duas semanas de antecedência, para que possamos garantir que não haja outra liturgia marcada para esse dia, e que tudo seja aberto e gratuito para sua conveniência.

Portanto, por favor, não hesite em entrar em contato comigo. Claro que a liturgia pode ser celebrada em Grego ou Inglês ou uma mistura de ambos, de acordo com a necessidade. De qualquer forma, estou ansioso para me comunicar com você por meio desses vídeos. É uma maneira muito boa, pelo menos por agora, dadas as medidas que nos encontramos vivendo, mas também no futuro poder nos comunicar com vocês pessoalmente, na igreja, em torno dos serviços divinos. Além disso, talvez depois que possamos organizar as palestras, coisas diferentes possam acontecer.

Mas o objetivo, nosso objetivo, é formar uma paróquia dentro da Igreja Ortodoxa Russa, mas seguindo os costumes e tradições da Igreja Ortodoxa Grega. Fazer isso e ter sucesso não é algo que depende apenas de um sacerdote, mas é necessária a participação dos fiéis. A igreja precisa dos fiéis. Os fiéis compõem o corpo da igreja, não apenas o clero, mas também os fiéis. Assim sendo, estou ansioso para trabalhar com você a partir de agora e rumo ao futuro. Que Deus abençoe a todos vocês ricamente em 2021.

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