Deslumbrante Monastério Russo da "Caverna do Arrependimento" - Onde o Pior dos Pecadores do Império Encontrou Paz

Onde, por 1000 anos, monges se esconderam de seus inimigos nas cavernas, onde pessoas foram em busca de perdão, onde oração e arrependimento se tornaram parte de uma montanha.

O Convento do Santo Salvador foi esculpido direto na rocha das calcárias e esparsas montanhas nas margens do Rio Don, a três horas da cidade Russa de Voronej.

Ao longo dos muitos séculos, ele se tornou um só com a paisagem, a silenciosa glória das colinas rochosas.

Duas lendas foram transmitidas sobre como ele foi fundado.  

De acordo com uma, ele foi fundado no séc. XVII pelos Cossacos (guerreiros Eslavos das estepes) fugindo da perseguição na Ucrânia ao se recusarem a aceitar a União imposta de 1596 com a Igreja Católica.

A lenda original, todavia, é de que o monastério da caverna foi primeiramente fundado por refugiados Cristãos da brutal perseguição iconoclasta do séc. VIII no Império Bizantino.

Se assim for, o Monastério Kostomarov do Salvador foi um dos primeiros centros secretos dos Cristãos no reinado, proselitizando a palavra de Cristo em um país ainda pagão, até o oficial Batismo da Rússia em 988.

De qualquer forma, é óbvio que este lugar remoto oferece um esconderijo perfeito para os ascéticos religiosos quando o mundo os persegue.

Monges eremitas esculpiram pequenas celas para eles na rocha calcária, onde eles levaram uma vida reclusa, orando e se escondendo dos que desejavam seu mal.

Seu único contato com o mundo externo se dava através de pequenas janelas abertas na face da rocha. Eles se comunicavam com peregrinos e outros monges por meio delas, recebendo alimentos e recados com pedidos de oração.

Por volta do séc. XII, a primeira estrutura visível do monastério foi construída. O propósito foi providenciar aos fiéis um lugar para se refugiarem durante saques e ataques.

Portanto, até a Revolução (1917), o monastério possuiu uma entrada fortificada, uma saída secreta e poderia aguentar um longo cerco.

A Igreja do Salvador, a principal igreja do monastério, é um vasto espaço subterrâneo que comporta até 2.000 (!) pessoas.

Seus arcos repousam sobre 12 imensas colunas de calcário.

O monastério passou por três grandes períodos de construção: nos séc. VI-VII, VIII-IX, e XII.

Por todo o Império Russo as pessoas sabiam sobre este monastério da Caverna do Arrependimento. Foi nesta caverna que o Sacramento da Confissão foi realizado para todos os habitantes e peregrinos do monastério.

As estreitas câmaras da Caverna do Arrependimento, seu teto baixo e longo corredor, com ícones postos em nichos e velas queimando, ajudavam os peregrinos a caminharem o caminho do arrependimento e alcançarem o lugar da confissão, tendo abandonado o orgulho e todas as preocupações terrenas para trás.

A cada passo o teto ficava mais baixo.

Quando se alcançava por fim o ancião na pequena Caverna do Arrependimento, o pecador estava agachado em uma baixa prostração.

Antes da Revolução, o monastério do Salvador era para onde os Russos enviavam os pecadores mais desesperados.

Depois da Revolução de 1917, o eremitério foi fechado e os monges executados.

Todavia, os peregrinos continuavam a vir secretamente.

Na década de 40, sob Joseph Stalin, o monastério foi reaberto e reconstruído. Durante a 2ª Guerra Mundial, as cavernas do Monastério do Santo Salvador serviram de abrigo para os soldados Russos e para os locais, que se ocultavam dos Alemães.

Contudo, em 1960, durante a administração do então presidente Nikita Khrushchev, o monastério foi novamente fechado. Todos os edifícios externos foram queimados e a caverna alagada.

Apenas após a queda da União Soviética em 1993 é que a reconstrução do monastério começou. Igrejas e construções modernas foram construídas, a famosa antiga Igreja do Salvador foi reconstruída e o monastério foi reaberto, desta vez como um convento feminino.

Por volta do ano de 1997, o complexo da caverna possuía dormitórios, um corpo de enfermagem, um refeitório e uma capela.

Imediatamente os peregrinos voltaram a aparecer em massa. Hoje, este remoto local é visitado por pessoas de toda a Rússia e do mundo.

Visitantes modernos expressam confusão acerca do que realmente seja a "Caverna do Arrependimento"; as monjas, às vezes, se referem de maneira precipitada à totalidade do monastério, ou a igreja principal, ou a pequena caverna de confissão como a Caverna do Arrependimento... O conceito da caverna se esculpiu tão integralmente na identidade do monastério que ele o penetra na inteireza, sendo sua pulsação.

Os peregrinos (e frequentemente apenas turistas curiosos) se impressionam o quão eles se sentem insignificantes nas cavernas, o quão compungidos...

O fato de que pessoas de todas os tipos e idades estão retornando magneticamente a este lugar não se deve somente à beleza selvagem do lugar, antes, é pelo profundo senso de oração e esforço ascético que as rochas absorveram durante os séculos; pois o arrependimento, é o que parece, é mais profundo aqui do que em qualquer outro lugar nas terras Russas.

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