Uma Resposta Cristã ao Feminismo (Parte 3)

Esta é a parte final de uma série de três que responde ao feminismo. Você pode ler também as partes um e dois.

Quando se reconhece corretamente que nós fomos chamados para guardar as tradições que nos foram entregues por Cristo e pelos apóstolos (somos exortados a isso em 1 Coríntios 11:2 justamente antes da exposição do apóstolo sobre a liderança masculina, que examinamos na publicação anterior), então o problema com o feminismo e o igualitarismo se torna ainda mais evidente.

Uma vez que as raízes do feminismo não são anteriores ao séc. XIX e que o "igualitarismo Cristão" é um fruto temporão do feminismo da década de 1960, é preciso imaginar qual oráculo divino entregou essa nova revelação feminista há tão pouco tempo. Se a fé foi entregue aos Santos uma vez por todas (Judas 1:3), e se o Espírito Santo guia a Igreja em toda a verdade (João 16:13) - ao invés de guiá-la em parte verdade, parte erro - então um novo aspecto da Fé não pode ser descoberto do nada.

Se somos chamados para guardar aquilo que nos foi entregue por Cristo e pelos Apóstolos, seja por palavra, seja por epístola (2 Tessalonicenses 2:15; 1 Coríntios 11:2), por que razão são os Cristãos forçados a reconhecer essa doutrina estranha e mundana que não veio nem de Cristo ou dos Apóstolos?

Diante disso, as feministas e os igualitários irão querer citar tipicamente exemplos bíblicos e históricos de santas mulheres impressionantemente justas, algumas das quais não eram donas de casa. Ou talvez irão se voltar para uma leitura histórica crítica dos textos bíblicos, fazendo com que a condição de Júnias como a de um apóstolo (Romanos 16:7) um sinal de uma antiga liderança feminina da Igreja, ou fazer com que Priscila se torne a cabeça de sua casa apenas porque seu nome é (normalmente) apresentado por primeiro no par Priscila e Áquila (Atos 18:18-26; Romanos 16:3; 2 Timóteo 4:19). Ou talvez acusem a Igreja - a noiva de Cristo que é coluna e baluarte da verdade (1 Timóteo 3:15), a quem foi dado o Espírito Santo como guia em toda a verdade (João 16:13) de ter sido infectada com uma pérfida corrupção patriarcal desde sua fundação até os dias de hoje.

Quanto ao fato de terem havido grandes mulheres piedosas na história da Igreja - mártires e Santas - a Igreja Ortodoxa enfática e calorosamente concorda que houve inúmeras! A Imaculadíssima, Puríssima Mãe de Deus sendo a principal de todas elas. Depois podemos acrescentar Santa Tecla, Santa Bárbara, Santa Catarina, a Grande, Santa Maria do Egito, Santa Maria de Paris, e isso é somente a ponta do iceberg.  

É claro, nada disso favorece em nada o igualitarismo. Na realidade, cada uma dessas mesmas Santas humildemente se submeteram ao sacerdócio masculino e, nos casos das Santas casadas, aos seus maridos. Santidade é completamente incompatível com a inveja, ou com a insistência de se receber uma posição mais elevada, ou ainda com a impertinência diante das autoridades devidamente estabelecidas sobre cada um.

A essência do feminismo é aquela de um anti-Santo.

Com relação à Júnias, a Igreja Ortodoxa realmente a considera como uma dos Setenta, mas isso, outra vez, não leva as feministas muito longe; "apóstolo" (απόστολος) em Grego, se refere a um que foi "enviado", e no contexto dos Setenta isso se refere aos mais antigos missionários da Igreja. Existiram mulheres missionárias na Igreja e também existem agora, mas sua existência não é relevante para as questões pertinentes.

No caso de Priscila, ainda que ele tenha sido mais ativa e bem conhecida na Igreja do que seu marido, não há nada de incomum em um mulher ser mais piedosa, ativa e influente na vida eclesiástica do que seu marido. Na realidade, isso é bastante comum. Nenhum dos casos aborda a questão da liderança masculina na família ou da "igualdade" de liderança na Igreja antiga, especialmente com relação a bispos e presbíteros. Uma vez que São Paulo e a Tradição posterior falam sobre estas coisas explícita e inequivocadamente em vários lugares, a  questão não é uma questão aberta para começar.

Tendo dito isso, a Igreja Ortodoxa não se envergonha de atribuir elevados títulos e honras sobre as Santas. Maria, a Theotokos, a Mãe de Deus, a Mãe da Luz, Rainha do Céu, a Honorabilíssima, Santíssima, Beatíssima (podemos continuar por um bom tempo) etc. Maria Madalena e Santa Tecla, a Primeira Mártir - para citar dois exemplos do séc. I - ambas receberam o título de "Igual-aos-Apóstolos" por seus feitos heróicos, juntamente com outros luminares masculinos da Igreja, como São Constantino, o Grande, São Patrício da Irlanda e os Santos Cirílo e Metódio. 

A veneração das mulheres Santas não está limitada à concessão de títulos elevados. Ela também é atestada pela iconografia, pelas orações, pela hinódia, e suas vidas são lidas no Sinaxário durantes os serviços. Nem mesmo o maior de todos os Santos poderá se aproximar da grandeza da maior das Santas, a Theotokos, em sua santidade, vida de oração, ascetismo ou em qualquer outra coisa. Os homens santos não se irritam com sua inferioridade em relação a ela. Antes, eles se maravilham com aquilo que Deus fez nela e por ela por nossa salvação, buscando fervorosamente sua intercessão.

Na Igreja Ortodoxa, Maria é considerada a Nova Eva. Enquanto Eva deu ouvido à mentira do diabo de que "igualdade" era algo para ser desejado e conquistado, a Theotokos viveu uma vida de humilde submissão e obediência à vontade de Deus, sendo portanto digna de carregar o Salvador do mundo.

São Irineu de Lion, discípulo de São Policarpo, que por sua vez era um discípulo de São João Apóstolo, talvez o maior dos Padres da Igreja do segundo século, escreveu em Contra as Heresias:

"Sua obediência [de Cristo] na árvore da cruz reverteu a desobediência cometida na árvore do Éden. A sedução de que foi vítima, miseravelmente, a virgem Eva, destinada ao primeiro homem, foi desfeita pela boa-nova da verdade, maravilhosamente anunciada pelo Anjo à Virgem Maria, já desposada com um homem. Assim como Eva foi seduzida pela conversa de um Anjo e afastou-se de Deus, desobedecendo à Sua palavra, Maria recebeu a boa-nova pela anunciação de outro Anjo e mereceu trazer Deus em seu seio, obedecendo à Sua palavra. Uma deixou-se seduzir de modo a desobedecer a Deus; a outra deixou-se persuadir a obedecer-Lhe. Deste modo, a Virgem Maria tornou-se advogada da virgem Eva".

Na economia da salvação, a mulher possui um papel integral e indispensável para cumprir, que é exemplificado e encarnado pela Theotokos. Entretanto, esse papel não é o papel do homem. Deus foi revelado a nós como Pai, Filho e Espírito Santo, não como Mãe, Filha e Espírito Santo - e isto está fora de discussão. Deus se tornou um homem real, e não uma mulher ou algum ser andrógeno. Cristo chamou dois homens para o ranque de Apóstolos, e seguindo seu ensinamento, estes passaram sua autoridade apostólica para outros homens (1 Timóteo 3:2-12).

Será que algum desses fatos diminui o valor e a dignidade das mulheres, sua humanidade ou condição de portadoras da imagem de Deus? Certamente que não. Diferenças sexuais são uma realidade pré-lapsariana que ilustram a Divindade por meio da diferenciação (Gênesis 1:27). Sugerir que a diferença de gêneros e os papeis com os quais estas diferenças criadas se relacionam sejam puramente uma realidade superficial a ser superada, é um produto da Queda. Além de ser irreconciliável com o testemunho das Escrituras e o testemunho indiviso e autoritativo da Igreja por dois milênios.

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