Uma Resposta Cristã ao Feminismo (Parte 2)

Na publicação anterior, examinamos o texto de Gálatas 3:28, uma passagem muito manuseada pelas feministas e os igualitaristas, e vimos por que ele na realidade não sustenta uma leitura igualitária.

Voltemos agora nossa atenção para outros textos Paulinos centrais neste debate, especialmente os que tratam sobre a liderança na família. Efésios 5:22-33 e 1 Coríntios 11:3-15 ambos estabelecem uma hierarquia inegável no matrimônio.

São João Crisóstomo, o maior exponente eclesiástico de São Paulo (figura tão importante, que o fato de São Paulo ter sussurrado a verdade de seus ensinamentos em sua orelha, fez com que a orelha de São João se tornasse uma relíquia incorrupta, que permanece até hoje no Monte Athos), diz sobre Efésios 5:32-33:

Todavia, não é somente pelo marido que isto é dito desta forma [que o matrimônio é um grande mistério de Cristo e da Igreja], mas também em prol da esposa, para que ele cuide dela como de sua própria carne, assim como Cristo faz com a Igreja, e para que a esposa tema seu marido. Ele já não mais está a estabelecer os deveres do amor somente, mas então o quê? Que ela tema seu marido. A esposa é uma autoridade secundária; que ela então não exija igualdade, pois ela está sob uma cabeça; e que ele não a menospreze como se fosse um ser em sujeição, pois ela é o corpo; pois se a cabeça menospreza o corpo, ela perecerá. Antes, que ele disponha de amor em contrapartida pela obediência dela. Por exemplo, que as mãos e os pés, e todo o resto dos membros do corpo se coloquem em serviço da cabeça, mas que a cabeça, por sua parte, proveja para o corpo, visto que tudo isso é perfeitamente lógico. Nada pode ser melhor do que esta união.

A visão feminista-igualitária do casamento é necessariamente uma de duas cabeças, ou de dois corpos, ou ainda de outra disposição profana qualquer, ao passo que a visão de São Paulo é a de apenas uma cabeça e um só corpo, assim como Cristo é Cabeça de Seu Corpo, a Igreja. Crisóstomo continua:

Todavia, como é possível haver amor, alguém pode perguntar, onde se encontra o temor? Pois há de haver, eu digo de antemão. Pois aquela que teme e reverencia, também ama; e aquela que ama, teme e reverencia aquele como sendo sua cabeça, e ama-o como sendo seu membro, uma vez que a própria cabeça é um membro do corpo em geral. Eis porque Ele coloca um em sujeição e outro em autoridade, para que possa haver paz; pois onde quer que haja autoridades iguais, nunca poderá haver paz; nem quando o lar é uma democracia, nem quando todos lá governam; mas o poder que governa deve ser necessariamente um.

Assim como a boa ordem do κοσμος (cosmo) é (ou foi) mantida pela humilde sujeição da humanidade ao governo de Deus sobre ela, assim também se dá com o μικρόκοσμος (microcosmo) da família: um único soberano governa em amor abnegado e cuidado para com todos, e aqueles sob sua autoridade devolvem o amor em submissa gratidão, resultando na harmoniosa e pacífica cooperação do todo. Ecoando este ensino, um dos outros Três Santos Hierarcas do séc. IV, São Gregório, o Teólogo, escreveu:

As três opiniões mais antigas sobre Deus são Anarquia, Poliarquia e Monarquia. As primeiras duas são a ocupação dos filhos da Grécia, e que eles continuem assim. Pois a Anarquia é uma coisa sem ordem; e o Governo de muitos é faccioso, e, portanto, anárquico e desordenado. Pois ambos estes tendem para um só mesmo fim, a saber, a desordem; e isso leva à dissolução, pois que a desordem é o primeiro passo para a dissolução. Todavia, a Monarquia é aquilo que honramos.

O "arché" do Pai é um aspecto do trinitarianismo ortodoxo, preservado no Credo Niceno: O Filho é gerado do Pai (e não o contrário) e o Espírito Santo procede do Pai (não o contrário). Portanto, muito embora todas as Pessoas sejam  ομοούσιος (“de uma essência”), há uma hierarquia relacional dentro da Divindade, com o Pai sendo a fonte ou o Monarca da Santíssima Trindade.

Com isto em mente, lemos em 1 Coríntios 11:3 que: "Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo". São Paulo estabelece explicitamente uma hierarquia, e a fundamente na relação entre o Filho e o Pai, que - como acabamos de ver - não é uma relação recíproca (embora esta falta de simetria relacional não resulta de nenhuma forma em uma inferioridade ontológica). Ele [o apóstolo] também relaciona a hierarquia do marido para com a esposa com a hierarquia de Cristo para com a Igreja. 

São Paulo faz uso desses dois relacionamentos não recíprocos e hierárquicos como uma imagem ou diagrama do casamento, logo, o relacionamento entre marido e mulher não pode ser recíproco. Contudo, para a "igualdade" dos igualitaristas, é exatamente assim que um relacionamento deve ser: exatamente recíproco. Portanto, segundo a Bíblia e o dogma da Santíssima Trindade revelado por Cristo e confirmado pela Igreja, o "igualitarismo" não pode ser verdadeiro.

A maioria dos Cristãos feministas e igualitários tentarão obscurecer a questão passando para uma discussão sobre a cultura em que Paulo estava escrevendo, da conduta doméstica de Roma do séc. I, sobre a natureza da liderança e outras coisas irrelevantes. Contudo, essas táticas devem ser consideradas como pobres desculpas que de fato são. Não precisamos saber sobre a natureza da liderança ou das normas de comportamento entre os sexos no contexto de Paulo, pois ele fundamenta seu ensinamento sobre referenciais eternos: Cristo é o Cabeça da Igreja; o Pai é o Cabeça do Filho. O oposto não é verdadeiro em nenhum dos casos.

Mesmo que sua tradição tenha - por alguma razão inexplicável - confundido a doutrina apostólica sobre a natureza da liderança do marido na família, o texto ainda afirma de modo inequívoco que ela é algo que os maridos possuem e as esposas não, o que por si só seria suficiente para retirar o feminismo e o igualitarismo da jogada. 

Na próxima publicação, iremos examinar o tema por meio das lentes da tradição Cristã e discutir de que forma a Theotokos encarna a feminilidade Cristã de forma que seu exemplo estabelece o padrão para a resposta da Igreja a Cristo e para as mulheres de uma forma única.

Esta é a segunda parte de uma série de três que responde ao feminismo - Você pode ler também as partes um e três.

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