Recuperando a Paternidade - O Que é Preciso que o Homem Faça?

A coisa mais importante aqui é a fé e a piedade. A família é a igreja. O pai da família é o chefe dessa igreja. Que ele a mantenha pura. Definir e manter o método e o tempo das orações em casa é sua tarefa. Descobrir os meios de educar a família na fé é sua tarefa. A vida religiosa de todos depende dele; é sua tarefa iluminá-los e fortalecê-los.

Eu pretendia começar meus pensamentos sobre o conceito de "paternidade" e a anulação dele pela sociedade moderna com uma citação bíblica acerca do assunto, como convém a um padre. Todavia, eu me referirei às citações posteriormente, começando com uma fonte mais compreensível ao leitor moderno - um mecanismo de busca da internet.

No Yandex (similar ao Google), quando se digita a palavra "maternidade", 10 milhões de links são encontrados. Entretanto, se você digitar o termo "paternidade", então o resultado cai para apenas 2 milhões de links.

Não, o problema não é que o segundo dígito é cinco vezes menor. O problema é que 95% dos links encontrados por "paternidade" se referem a um específico teste de DNA. Eu não cito este exemplo por acaso - na consciência de nossa sociedade, o papel do pai é reduzido ao mínimo. Ele ajuda a gerar crianças e, no máximo, é o ganha-pão da família. Caso a sociedade esteja interessada no problema da paternidade, é apenas no contexto da identidade biológica.

Nosso Pai Celestial e "Pais" Terrenos

Essa situação não é acidental e, em princípio, não é nova. Ela é causada pela consciência humana corrompida na queda. Ainda que o homem reconheça a existência de Deus, ele cessou de ver o Pai n'Ele. Eis, portanto, a perda do conceito do verdadeiro conceito de paternidade. O Metropolita Anfilóquio (Radovich), em seu livro  “Homem - Portador da Vida Eterna”, nos recorda por que o tema do relacionamento do Pai Celestial e do Filho é central para o Evangelho do Novo Testamento:

O Deus-Homem Cristo revela Seu Pai e Nosso Pai. Ele revela o relacionamento do Pai e do Filho como aquele antigo e esquecido relacionamento de Deus com o homem, e do homem com o homem. Portanto, a Igreja do Deus-Homem, a Igreja do Unigênito, é a Igreja de nosso Pai e a Igreja dos Santos Pais.

Adão e Eva, em sua traição ao Pai Celestial, em seu anseio por auto-deificação e poder sobre o mundo, empurraram seus descendentes no caminho da impiedade, orfandade e autoridade tirânica. O bispo Anfilóquio continua:

Cristo, o novo Adão, com o beijo da Cruz, cumpriu a vontade de Seu Pai, tornou-se o Progenitor e o Ressuscitador, o Professor da nova humanidade unida na unidade do Gerado do Pai, Vida e Amor Incriados, quer dizer, unida no Pai através do Filho e do Espírito Santo. Por esse exemplo, profetas, apóstolos e santos entenderam a autoridade, poder, paternidade, liderança e a criação de uma pessoa não como violência e tirania, mas como uma ama que o circunda de amor - amor que "não se ensoberbece [...] não busca os seus interesses" (1 Coríntios 13:4-5), mas que está crucificado com a crucificação de Cristo.. 

Assim, a base da paternidade é o amor sacrificial. Cristo nos chama para amar um ao outro e esse chamado é mais relevante em nossas famílias.

Aspectos Espirituais da Paternidade

Falando sobre as qualidades necessárias de um pai em relação à família, eu citarei as palavras de São Teófano, o Recluso, sobre os aspectos espirituais da paternidade. O santo recorda ao pai que ele é a cabeça da casa e precisa, acima de tudo, tratar dos assuntos espirituais.

A coisa mais importante aqui é a fé e a piedade. A família é a igreja. O pai da família é o chefe dessa igreja. Que ele a mantenha pura. Definir e manter o método e o tempo das orações em casa é sua tarefa. Descobrir os meios de educar a família na fé é sua tarefa. A vida religiosa de todos depende dele; é sua tarefa iluminá-los e fortalecê-los. Por fim, ele tem o dever de preservar os costumes familiares, tanto comuns quanto particulares, e, no último caso, especialmente em se tratando do espírito e dos costumes de seus ancestrais, de mantê-los na família e de passa-los adiante de uma família para a outra.

O pai não precisa erguer sua voz e falar unicamente em um tom autoritativo a fim de demonstrar sua liderança na família. O pai precisa começar assumindo a responsabilidade por sua própria vida espiritual. É precisamente o modo como ele ora, vai a igreja e demonstra virtude na família que irão testificar sua verdadeira liderança, que está baseada em um forte relacionamento com Deus.

Em uma palestra sobre assuntos familiares, um psicólogo bem conhecido fez uma pergunta sobre como um pai poderia melhor demonstrar seu amor para com os filhos. O palestrante deu uma resposta universalmente inesperada: "A melhor maneira de um pai amar seus filhos é amando a mãe deles"Uma mulher, ao contrair núpcias, subconscientemente busca em seu marido uma atitude paterna e amparo. Portanto, homens, antes de se casarem, perguntem a si mesmos se vocês estão ou não preparados de se tornarem o pai da garota que vocês amam.

Por um lado, não é tão comum que uma mulher que não tenha recebido amor e atenção paternais suficientes iguale suas expectativas de marido e pai. Por outro lado, um verdadeiro homem demonstrará sua disposição para ser um pai precisamente então, se ele tratar sua esposa de uma forma paternal. Essa atitude será manifesta primeiramente na responsabilidade por aquele que se ama.

Portanto, a mais crucial e decisiva insígnia da paternidade tem sido considerada a responsabilidade.

Um homem que não se responsabiliza por sua esposa não pode ser um pai responsável (leia-se "bom"). A paternidade começa com a disposição de tomar responsabilidade por sua esposa e por seus filhos: por sua família.

"Vós, maridos amai a vossas mulheres”, diz o apóstolo Paulo, “e não vos irriteis contra elas” (Colossenses 3:19). Ele depois continua: “Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo [...] Assim também vós, cada um em particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo" (Efésios 5:28, 33).

Há um tremendo poder no amor responsável. Tal amor de um marido pode mudar uma esposa superficial e imprudente em uma esposa que é profunda, fiel, humilde, zelosa e cuidadosa.

Hoje em dia, quando tudo foi posto de cabeça para baixo (para não dizer pior), a esposa frequentemente carrega os deveres do marido. Em uma situação, o marido instável não demonstra amor, cuidado ou responsabilidade por sua esposa e filhos. Relaxado e miserável, ele é volúvel e desequilibrado. Ele facilmente cai em insultos e histeria, tornando-se cabeça-dura, irritadiço e incômodo; essa é a forma pela qual sua covardia se manifesta, e da covardia a bebedeira, o fumo e o adultério frequentemente surgem.

Não obstante, as Sagradas Escrituras nos dizem que o marido é o cabeça da mulher. Ele precisa ter tal poder de amor e cuidado por ela, tal habilidade de apoiá-la em seu espírito e alma, que tudo nela esteja direcionado para a bondade. Ninguém é mais plenamente capaz de fazer isso do que um esposo amoroso.

Um amável e responsável marido, juntamente com sua esposa, irá considerar o nascimento de crianças como uma benção de Deus. A mera notícia acerca do futuro filho o concede novo ímpeto para se preocupar ainda mais com sua esposa, além de uma fonte inacabável de alegria na consciência de sua futura paternidade.

Acadêmicos contemporâneos quase unanimemente concordam sobre os benefícios da presença de um pai durante o nascimento. A empatia e a compaixão mútuas do bebê, mãe e pai realmente transformam a alma do pai e imprimem uma marca positiva em sua futura atitude com relação ao filho. Apenas para um "homem" (neste caso eu gostaria de colocar esta palavra entre parênteses) arrogante, egoísta, irresponsável e covarde, o nascimento de seu próprio filho poderia ser percebido negativamente, ainda que nos primeiros minutos. Afinal de contas, agora um "competidor" apareceu para sua posse indivisa da atenção e do cuidado de sua esposa...

Algumas mulheres, no intuito de aplacar as atitudes consumistas e infantis dentro do relacionamento marido/mulher, atribuem a ele o papel de "filho mais velho" da família. Isso é monstruoso! Aquele de quem se espera que aja como a "cabeça", "proteção" e "amparo", se comporta como uma criança indefesa.

Aqui você tem a orfandade em sua forma mais horrível - o pai está fisicamente presente, mas sua influência sobre o clima familiar é tal que haveria mais benefício se ele morresse dignamente em batalha. Nesse caso, as crianças poderiam ao menos se orgulharem de seu pai e imitar sua coragem.

Torne-se um Pai de uma Vez por Todas!

Precisamos considerar dois importantes fatores que ativamente espalham tais exemplos negativos de "paternidade" em nosso tempo: 

Nas famílias modernas, mais do que nunca, a criança nasce e cresce sozinha. Ela é também, além disso, um filho da velhice. Convencer essa criança de que existem outras preocupações na vida além das suas - ao redor da qual a vida gira - é uma tarefa infértil. Se tal criança vier a se tornar um pai, será apenas sob uma condição: de que em meio ao seus filhos ele permaneça o "filho mais velho".

Outro problema está em nossas escolas modernas. Não há lugar para homens lá. Se um garoto passar dias inteiros na escola sem exemplos masculinos, e se o único homem adulto que ele ver em casa for seu pai sentado na frente da TV, onde então esse menino irá aprender como se tornar um homem de verdade? Quem ele irá imitar?

Felizmente, mesmo com tudo isso acontecendo em nossa sociedade moderna, nós ainda temos alguns poucos bons pais que se empenham por fazer o que é certo. Os psicólogos comparam a parternidade com uma corrida de longa distância. Calma, equilíbrio, comedimento, respiração profunda e um forte coração são muito úteis aqui. É preciso se tornar um pai de uma vez por todas, sem olhar para trás. Para cruzar a linha de chegada, é preciso se lembrar de três coisas importantes:

Primeiro: presença. O pai precisa ter uma parte ativa na vida diária de seu filho. Você não pode ser pai meramente "no final de semana". As crianças precisam sentir diariamente que um pai amoroso é responsável por seus atos, palavras e pensamentos. As crianças precisam estar certas de que é impossível amar alguém e, ao mesmo tempo, se manter longe daquele que se ama.

Segundo: constância. É muito importante que a criança entenda que seu pai é sempre confiável. Um pai desequilibrado e pavio-curto é uma dolorosa provação para as crianças, porque é impossível saber como será o humor desse homem em qualquer tempo determinado.

Finalmente: consciência. As crianças não devem duvidar de que o papai "entende". O pai precisa cuidar das necessidades, fraquezas e talentos de uma criança, estar interessado em sua mundo interno: suas experiências, planos, comunicação com amigos, etc. Ao mesmo tempo, ele deve permitir que a criança tenha seu próprio território de liberdade e responsabilidade. 

Lembrete aos Pais —

  • Um Pai terreno precisa ter um relacionamento vivo e concreto com o Pai Celestial.
  • Um pai genuíno precisa constantemente cuidar de seu próprio e interno cultivo espiritual.
  • Um bom pai começa com um marido amável e sacrificial.
  • Paternidade e responsabilidade devem ser sinônimos.
  • Um pai deve estar conectado com seus filhos, de forma que os filhos estejam conectados com seus pais.
  • Shqip
  • العربية
  • English
  • Français
  • Deutsch
  • Bahasa Indonesia
  • Italiano
  • Português
  • Русский
  • Español