Santos Ortodoxos Explicam: Os Sofrimentos no Inferno são Verdadeiros

"A seguinte crença está começando a se espalhar: de que sofrimentos eternos são incompatíveis com a infinita misericórdia de Deus; portanto, os sofrimentos não são eternos. Tal equívoco provém de uma má compreensão das coisas [...]"

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Pensamos nos sofrimentos do inferno de modo muito abstrato e, portanto, nos esquecemos deles. Aqueles que vivem no mundo se esqueceram completamente deles. O diabo instila em nós a crença de que nem ele, nem os sofrimentos no inferno são reais. Todavia, os santos pais ensinam que nosso vínculo com o inferno, ou nossa bem-aventurança, de igual modo, começam aqui na terra; isto é, os pecadores enquanto ainda na terra começam a experimentar os sofrimentos do inferno, e os justos a bem-aventurança... A única diferença é que no século vindouro, ambos serão experimentados incomparavelmente mais fortes. — São Barsanúfio de Optina

Os sofrimentos no inferno existem sem dúvida e eles serão de uma natureza corpórea. As almas dos justos e dos pecadores possuem até mesmo vestimentas. Por exemplo, santos hierárcas, por vezes, apareceram em vestes episcopais. Quem sabe, haverão cidades e outras coisas semelhantes. Os sofrimentos no inferno são vistos por todos conforme as condições de nossa existência terrena, exceto que nós não teremos tais corpos grosseiros, mas um mais refinado, como que um gasoso… — São Barsanúfio de Optina

Uma compreensão incorreta dos sofrimentos no inferno está agora grandemente espalhada. Eles são compreendidos de forma demasiadamente espiritual e abstrata, como que o pesar da consciência. Claro, o pesar da consciência também estará presente, mas existirão sofrimentos corpóreos também; não do corpo que atualmente possuímos, mas do novo corpo que obteremos após a Ressurreição. O inferno, além disso, possui uma localização específica, e não é algum conceito abstrato. — São Barsanúfio de Optina

Três dos santos Anciãos de Optina. Foto: shamordino-m.ru     

Atualmente, não apenas dentre os leigos, mas também dentro os jovens clérigos, a seguinte crença está começando a se espalhar: de que os sofrimentos eternos são incompatíveis com a infinita misericórdia de Deus; portanto, os sofrimentos não são eternos. Tal equívoco provém de uma má compreensão das coisas. Os sofrimentos eternos e a bem-aventurança eterna não são apenas coisas que vem do exterior, mas estão, em primeiro lugar, no interior de uma pessoa. O reino de Deus está dentro de vós (Lucas 17:21). Quaisquer sentimentos que o homem cultive dentro de si durante sua vida, com estes ele partirá para a vida eterna. Um corpo doente é atormentado na terra, e quanto mais forte a doença, mas forte o sofrimento. Portanto, a alma, quando infectada por várias doenças, começa a sofrer fortemente durante sua transição para a vida eterna. Uma doença corpórea incurável acaba com a morte, mas como pode uma doença espiritual acabar quando não há algo como a morte da alma? Malícia, ira, irritabilidade, fornicação e outras doenças espirituais são como que serpentes que se arrastam após uma pessoa para a vida eterna. Assim, nossa meta nesta vida é esmagar estas serpentes aqui mesmo, na terra, a fim de purificar completamente nossa alma e dizer antes de nossa morte juntamente com nosso Salvador: o príncipe deste mundo vem, mas ele não tem nada em mim (João 14:30). Uma alma pecadora, não purificada pelo arrependimento, não pode habitar junto com os santos e, mesmo que fosse levada até o Céu, seria insuportável para ela permanecer lá, e ela se esforçaria por sair. — São Barsanúfio de Optina

O reino de Deus está dentro de vós (Lucas 17:21), disse o Senhor; isto é, no coração. Portanto, se faz necessário buscar a purificação das paixões e dos assaltos do inimigo no coração, sem julgar ou reprovar ninguém… — São Macário de Optina

Eu peço que você adie sua jornada por hora, pois o Reino de Deus não deve ser buscado fora de nós, mas dentro; isto é, no coração. Pergunta: "O que é o Reino de Deus?". Resposta: "O Reino de Deus é uma vida virtuosa em Deus. Significando que você deve laborar em humildade, silêncio e paciência em sua alma; e continuando a fazer assim, você contemplará dentro de si uma paz de Deus, isto é, o Reino de Deus. Após sua morte você se verá no Reino de Deus". — Santo António de Optina

A Palavra de Deus fala tanto do Reino de Deus quanto do Reino dos Céus. Qual é a diferença? O Reino dos Céus é recebido por aqueles que são dignos dele após a morte na vida futura, enquanto que aqueles que firmemente creem e são diligentes obtêm o Reino de Deus dentro de si mesmos na vida presente - em sua alma e coração - como foi dito no Evangelho: O reino de Deus está dentro de vós (Lucas 17:21). Como, e por quais meios, o reino de Deus deve ser obtido por nós? Conforme a palavra Apostólica, ele é obtido, acima de tudo, pela verdade, ou justiça, que consiste no cumprimento dos mandamentos de Deus e em uma misericordiosa e compassiva disposição para com nosso próximo. Em segundo lugar, por se ter paz com nosso próximo, paz das paixões, paz com nosso consciência, e paz com Deus através do arrependimento e da humildade. Quando o Cristão se força em operar em prol da aquisição de tal estado, então ele recebe ajuda na forma de graça, e com a ajuda do Espírito Santo, ele será alegre até mesmo em meio as tribulações, crendo firmemente na palavra Apostólica de que a tribulação opera a paciência; a paciência a experiência; e a experiência a esperança: e a esperança não traz confusão (Romanos 5:3-5); que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada (Romanos 8:18); e que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus (Atos 14:22). —St. Ambrose of Optina

Tradução por Feodor Nemets / Shamordino.ru

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