Pureza de Coração: Um Escudo Eficaz Contra Ataques Demoníacos

A não ser que tenhamos pureza de coração, mente e alma, os demônios se atreverão a entrar em nós. Eles nos perturbam e nos levam para o engano (prelest), ao invés da verdade.

O Ancião Paíssios, responsável pelo reavivamento espiritual que varreu a Rússia durante os últimos dois séculos e possibilitou uma abundância de santos ainda não canonizados, é aqui introduzido por uma passagem de seu livro, "Os Lírios do Campo", tomado do periódico de Pochaev do Arcebispo Vital, "O Monge Russo".


SOBRE A PUREZA DO CORAÇÃO E DA ALMA

por Paíssios Velichkovsky [St. Paisius]

1722-1794

Pureza de coração, mente e alma é conquistada por uma vida de muito esforço, através de esforço espiritual; pois o coração é purificado pelos sofrimentos, pelas virtudes espirituais e corporais mais difíceis: pela fome, sede, vigílias e outras formas. Da imundícia, nascem as concupiscências e as paixões corporais, isto é, a luxúria. Contudo, da pureza da alma, com jejuns e oração, vem a purificação da mente dos pensamentos imundos e das fantasias. Por meio da pureza da mente, a alma é liberta de suas paixões e é iluminada; da pureza da alma vem a percepção mental. A não ser que tenhamos pureza de coração, mente e alma, isto é, uma condição impassível, os demônios se atreverão a entrar em nós. Eles nos perturbam e nos apresentam o engano (prelest), ao invés da verdade. Pois somente um coração, alma e mente puros podem contemplar o Sol Mental [Deus - N.T].

É preciso se aplicar com diligência redobrada aos jejuns e à oração incessante, a fim de que a oração possa descer às profundezas do coração e purificá-lo das paixões da alma e do corpo, iluminando a alma, trazendo alegria, alívio e felicidade, enquanto expulsa os pensamentos impuros e as fantasias mentais. Quando o coração, mente, alma e corpo de um homem são purificados desta maneira, a graça vem e habita nele; a porta é fechada para os demônios e paixões, e ele começa a sentir uma doçura espiritual. Enquanto os movimentos corporais não forem diminuídos, incitando no coração prazeres pecaminosos, impedindo os sentidos corporais de serem purificados nesta vida; enquanto a mente não for liberada das trevas, das fantasias imundas, e a alma não for libertada das paixões - a doçura da graça não será desperta no homem e ele não perceberá o Divino em sua alma.

O princípio da pureza é o não consentimento com o pecado da mente, e seu fim é a mortificação: estar morto para o pecado do corpo. A impureza do coração consiste em prazeres luxuriosos e a excitação pecaminosa do coração; a impureza do corpo é o cair em um ato pecaminoso. A impureza da mente consiste em pensamentos imundos; a impureza da alma consiste em suas várias paixões, quando ela ama algo imoderadamente e é seduzida por isto.

Se uma pessoa laborar com seu corpo e alcançar certas virtudes, mas negligenciar a organização de seu coração - não se devotando à atividade mental (conscientização) ou se preocupando com a sobriedade da alma - então ele é como alguém que ajunta com uma mão, mas que espalha com a outra, pois os labores corporais são apenas o começo do caminhar espiritual, enquanto que a sobriedade interna do coração, a atividade da mente [i.e., a oração do coração - N.T.] e uma alma em ordem são seus fins. Os labores corporais, quando não acompanhados de uma boa ordem interna e conscientização, são como folhas secas. Portanto, nós não alcançaremos a perfeição, nem receberemos a graça se não soubermos como começar a vida espiritual, o que constitui seu meio e seu fim, e no que consiste a essência e o fundamento das virtudes; e até que percebamos isto, continuaremos ao mesmo tempo a trabalhar e desfazer os resultados de nosso trabalho.

Compreenda, ó homem, onde começa a vida espiritual, donde surgem as virtudes e por meio do que as paixões encontram facilidade de nos adentrar. Então, tua alma será logo iluminada. No entanto, sem este começar, você estará semeando sementes no mar, sempre a desperdiçá-las.

Fonte:
Paissy Velichkovsky. “On Purity of Heart and Soul.”
The Orthodox Word, Vol. 1, Issue 2, May-June 1965. pp. 115-116