“Pare o Diálogo Infrutífero Com os Heréticos” - Metropolita Serafim de Pireus

"Não há salvação fora da Igreja, mesmo que o homem alcance todas as virtudes através do jejum e das lutas ascéticas"

É essencial apegar-se à fé correta e rejeitar e denunciar todas as heresias, Sua Eminência o Metropolita Serafim do Pireu da Igreja Ortodoxa da Grécia escreve em sua encíclica pastoral para o Domingo da Ortodoxia deste ano. Expressando sua posição característica e rigorosa contra o movimento ecumênico, o veemente Metropolita pede aos Ortodoxos que abandonem todos esses diálogos infrutíferos e prejudiciais com os hereges.

Dando início à sua encíclica, o Metropolita Serafim lembra que o Domingo da Ortodoxia é dedicado à restauração dos ícones, mas também ao triunfo da Igreja sobre as heresias gerais e seitas em geral. O Rito da Ortodoxia inclui anátemas contra todas as heresias que a Igreja tem enfrentado, observou Sua Eminência.

Não é coincidência tambén que a Igreja tenha colocado esta celebração no primeiro domingo da Grande Quaresma. Isso foi feito, explica o Metropolita Serafim, para ensinar que nossas lutas para matar as paixões e adquirir as virtudes são inúteis sem manter a verdadeira fé. "Não há salvação fora da Igreja, mesmo que o homem alcance todas as virtudes através do jejum e das lutas ascéticas", afirmou.

O lobo da heresia não pode nos prejudicar enquanto permanecermos dentro da Igreja, Sua Eminência continua, referindo-se ao ensinamento de São João Crisóstomo.

Ele também se referiu à história do Abba Agatão, que aceitou ser caluniado com todo tipo de pecado, mas se recusou a ser chamado de herege. "A heresia é separação de Deus, e eu não quero ser separado de Deus", explicou o grande ancião.

Os Santos Padres lutaram muito para preservar a fé Ortodoxa, inclusive, por vezes, indo até ao martírio. "Sua sensibilidade se deve ao fato de terem percebido que o desvio da verdade da fé significa uma transição para o estado de heresia, significa a morte espiritual e a perda da salvação", o Metropolita Serafim escreveu. Mesmo o menor desvio tem consequências destrutivas, ensinam os Santos Padres, como enfatizou Sua Eminência.

"Portanto, não há espaço para concessões em matéria de fé, não há espaço para a economia, e ninguém tem o direito de acrescentar, ou remover, a mínima coisa do conteúdo da revelação divina, da única verdade sobrevivente da Ortodoxia".

As verdades da fé não são meras formulações dogmáticas, mas se referem a todo o etos e vida da Igreja. Alterar a doutrina inevitavelmente leva a alterar a moralidade, escreve o hierarca de Pireus. Os Santos Padres lutaram não simplesmente pela formulação correta das verdades da Igreja, mas antes de tudo para experimentar pessoalmente essas verdades e para conhecer pessoalmente a presença de Cristo em suas almas.

Da mesma forma, é dever de todos os Ortodoxos salvaguardar as verdades da fé, o que é mais imperativo hoje do que nunca, conforme o Metropolita Serafim, porque a Igreja está sob ataque de numerosas heresias e seitas, a mais perigosa das quais é o Ecumenismo, que deu origem a ensinamentos anti-Ortodoxos como a teoria dos ramos, o minimalismo dogmático, a unidade batismal, a teoria dos dois pulmões sobre a Igreja Ortodoxa e os Católicos, e outros.

Tal movimento reduz e degrada os trabalhos heróicos de nossos pais na fé, enfatizou o Metropolita Serafim. O retorno dos hereges à fé Ortodoxa não é mais visto como uma condição necessária para a união das igrejas e, portanto, os Santos Fócio, Gregório Palamas e Marco de Éfeso, campeões da Ortodoxia contra o Papado, "são cancelados e condenados na prática", explica o hierarca Grego.

O ecumenismo promove uma unidade superficial, ignorando as "enormes diferenças dogmáticas que nos dividem", e termina referindo-se ao heterodoxo como "igrejas irmãs" com "sacramentos válidos", afirma Sua Eminência. Assim, heresia e falsidade são respeitadas, igual à verdade.

Infelizmente, "esta conspiração" rapidamente se espalhou mesmo além dos limites da Cristandade para incluir as religiões não Cristãs, observou o Metropolita Serafim. Tal unidade, buscada através de conferências, reuniões, diálogos, etc., é um dos objetivos mais essenciais do Ecumenismo.

"Os diálogos realizados até agora não só não trouxeram nenhum resultado, mas, pelo contrário, inevitavelmente levaram à decadência e erosão da mente Ortodoxa, a comprometimentos e concessões inaceitáveis ao nosso dogma e autoconsciência eclesiástica", Sua Eminência advertiu, com razão. Os representantes Ortodoxos em tais diálogos carecem de experiência espiritual, observou, "Assim chegamos ao trágico fenômeno de representantes Ortodoxos fazendo declarações pouco Ortodoxas e assinando textos de aceitação comum com hereges, estranhos à tradição e ao ensinamento dogmático de nossa Igreja".

E essa "terrível diversidade" que prevaleceu ao longo do século XX atingiu seu auge no "Concílio" de Creta em 2016, escreveu Sua Eminência, que não condenou nenhuma heresia, mas legitimou o Ecumenismo, "e encheu a Igreja triunfante e militante de Cristo de uma tristeza indescritível".

O fato de que o Ecumenismo ainda existe mais de 100 anos após seu aparecimento ressalta a dívida que todos nós devemos na luta contra ele, pois ele prepara o mundo para a Religião da Nova Era de Satanás, exortou o Metropolita Serafim.

Que a Igreja desista destes diálogos nocivos com os hereges, e ao invés disso "proclame que o único Salvador é o Senhor Jesus Cristo, e que fora d'Ele não há salvação e vida", concluiu Sua Eminência.

Falando sobre o ecumenismo dos cismáticos Ucranianos com a Igreja Católica em 2019, o Metropolita Serafim observou que eles "não têm o temor de Deus". Ele também condenou as declarações ecumênicas do Patriarca de Alexandria e a participação de um Bispo da Arquidiocese Ortodoxa Grega da América em um serviço ecumênico de oração com Católicos e Protestantes.