Padre Russo: Os Homens mais Santos Denunciaram a Evolução e Nós Devemos Fazer o Mesmo

“Não me envergonho de ser uma filha do Pai Celestial. Que aqueles cujos ancestrais são macacos[1] se envergonhem”

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Não sou seu descendente e pronto. É por isso que soa tão escandaloso. Li muito sobre este tópico, mas assim como não cria antes, continuo não crendo agora.

Mencionarei também que em uma página de mídia social uma garota Ortodoxa escreveu um belo pensamento:

“Não me envergonho de ser uma filha do Pai Celestial. Que aqueles cujos ancestrais são macacos[1] se envergonhem”​​​​​.

Também não me envergonho de ser um filho do Pai Celestial (embora seja um pecador, sou filho; afinal, no Evangelho há o Filho Pródigo - um filho que não foi rejeitado por seu pai - e minha alma não aceita a teoria da evolução.

Me envergonho quando colegas do sacerdócio escrevem para mim e dizem com convicção: "A evolução é um fato; qualquer estudante sabe disso; é demasiadamente óbvio! Como você pode tão ignorantemente rejeitar as evidências?".

Algumas vezes eles enviam artigos e materiais sobre o tópico. É como se eu estivesse falando com as paredes: Assim como minha alma não aceitou anteriormente, ela ainda não aceita.

Por alguma razão, as palavras de São Paisios, o Athonita e as do Santo Hierárca Lucas (Voino-Yasenetsky) soam mais convincente. Um deles não havia recebido educação em termos mundanos, mas havia adquirido o Espírito Santo e, portanto, também o dom da percepção; o outro foi um dos maiores cientistas, conhecendo profundamente o corpo humano.

Ambos falaram em uníssono acerca da falsidade da teoria da evolução. E não apenas eles.

Isso é uma intuição Patrística comum, quer seja São Teófano, o Recluso, ou São Serafim de Sarov (a quem em vão alguns atribuem opiniões evolucionistas, nunca tendo lido, aparentemente, suas palavras na íntegra, tomando apenas poucas palavras), ou sejam os Novos Mártires e Confessores da Igreja Russa: Hieromártir Vladimir (Bogoyavlensky), Hieromártir Nikolai (Pokrovsky), Monge-Mártir Varlaam (Nikolsky), o Santo Hierárca Macário (Nevsky) e muitos outros. Da Igreja Grega temos São Nectário de Aegina, e da Igreja Sérvia temos São Nicolau (Velimirovic). Não importa qual seja o santo, eles sempre rejeitam a evolução.

O mesmo São Teófano escreve abertamente sobre os ideólogos da evolução:

Eles amontoaram uma multidão de suposições fantasiosas para si mesmos, elevaram-nas ao patamar de verdades irrefutáveis e se enfeitaram com elas, assumindo que nada pode ser dito contra elas. Na realidade, elas são tão infundadas que nem mesmo vale a pena falar contra elas.

Todo seu sofisma é um castelo de cartas: assopre-o e ele despencará. Não há necessidade de refutá-lo em suas partes; é suficiente considerá-lo da mesma forma como se considera uma fantasia. Ao se tratar de uma fantasia, as pessoas não provam a absurdidade em sua composição ou em suas partes individuais, mas apenas dizem: "é uma fantasia", e com isso tudo está resolvido.

O mesmo se dá com a teoria da formação do mundo a partir de uma nebulosa e suas implicações, ou com a teoria da abiogênese e da origem dos gêneros e das espécies, de Darwin, e com seu último delírio acerca da descendência do homem. Tudo isso é como um delírio. Quando você lê essas coisas, você anda no meio de sombras.

E os cientistas? O que se pode fazer com eles? Seu lema é: "Se você não gosta, não ouça, mas não me impeça de mentir".[2]

Santo Ambrósio de Optina aconselhou aqueles que foram até ele:

 “Não creia facilmente em toda sorte de disparates sem investigação: que algo veio à existência do pó [por si só] e que pessoas costumavam ser macacos".[3]

Por que não podemos concordar com os santos?

O quão longe devo ir ao distorcer as Escrituras para concordar que Adão teve pais antropóides, i.e., um casal redundante que caiu no esquecimento após ter esgotado seu propósito?

Como Adão se sentiria ao ver a morte deste casal no Paraíso, sendo ele mesmo um descendente da morte, gerando descendentes mortais de igual forma?

Onde está o lugar da vida aqui, se a morte reina ao redor do primordial Adão? Para que redimi-lo do pecado se ele é um filho da morte, não por causa do pecado, mas em razão de leis biológicas? Que pecado há para se falar sobre se tudo que há são os instintos animais, sujeitos nem à razão, nem à vontade humana?

Como interpretarei a revelação, crendo que os pobres ancestrais de Adão perseguiam uns aos outros com as bocas abertas, e que o mais esperto deles descobriu o primeiro porrete?

Que é essa coroa da criação, cheia de instintos irresistíveis que nós inadvertidamente chamamos de paixões? De que pecado falarei se, repito, toda a teoria da evolução fala das paixões como necessidades inerentes a toda criatura biológica?

Não nos enganemos: não há nada angélico e não há nada conforme a imagem de Deus, a princípio, em tais criaturas. Consciência, ética, etiqueta, tudo neste paradigma é resultado da evolução movida pela morte.

E as próprias Escrituras, em sua opinião, são para acrescentar injúria: o produto da evolução de antigos mitos e contos épicos, incluídos em coleções religiosas, cuidadosamente editadas através dos séculos. Que relevação Divina há se tudo é a contínua evolução dos mitos?

Não, não seremos enganados. A teoria da evolução opera a destruição.

Agora direi algo que não será escandaloso porque é um fato óbvio.

A ciência estuda o mundo em seu estado decaído, de acordo com a perda da harmonia paradisíaca, de acordo com a Queda do homem e da invasão da lei da morte e da corrupção no universo criado por Deus.

Portanto, o axioma inicial da teoria da evolução é a morte: Como teriam as espécies evoluído se ninguém tivesse morrido antes de Adão? Como um macaco se torna um homem se o mais fraco não morre para dar espaço para o milagre da mutação - o homem?

Portanto, a cosmogonia da evolução passa do mal sucedido para o acidentalmente bem sucedido; do excesso da matéria excedente dos seres vivos que não conseguiram coxear até a perfeição biológica, até novas espécies acidentalmente fixadas em novos estágios.

Isto é, em seu entendimento, Deus não pôde esperar até a criação de um belo, harmonioso e perfeito mundo.

Mas então, que Deus há na evolução?! Seu Deus é a própria evolução, uma espécie de feiticeiro, um alquimista, lançando feitiços mágicos para transmutar uma natureza em outra, de um crocodilo em um pterodáctilo, de um urso em uma baleia, de uma lhama em um girafa, de um macaco primitivo em um humano. Tudo isto é tirado de seus livros.

O que ele faria - aquele crocodilo - enquanto seus pés se transformam ao longo de gerações em tocos, para então se tornar em asas de pterodáctilo? Quem ajudará este inválido evolucionário, cujas patas sofreram mutação, mas ainda não possui asas? Mas para aqueles que se interessam, a evolução foi maquinada por um astuto feiticeiro.

    

A ciência observa o quadro do mundo em seu estágio decaído, com os traços de uma harmonia, mas com a óbvia perda daquela harmonia paradisíaca. Como pode a realidade atual ser transferida para o começo de nossa existência?

Que esses acadêmicos da mente nos digam com qual microscópio, com qual equipamento de super-elétrons, ou por qual teste eles podem estudar o Cristo Ressurreto e o estado do Seu Corpo durante Sua Ressurreição? Sua natureza - que não carece de alimentos ou de ar para respirar, sem qualquer necessidade natural, inacessível a micróbios, bactérias, doenças e enfermidades - em geral, uma natureza em que não há morte, mas vida, e além disso, vida eterna, sem velhice ou rugas, sem o "eu quero comer", ou "eu tenho que ir ao banheiro", uma natureza completamente humana, mas igual aos anjos, tendo derrotado a morte e a corrupção.

Como eles poderiam definir a natureza do Verdadeiro Homem, ressuscitado por amor a nós a fim de restaurar a harmonia paradisíaca? Como eles podem tocar a natureza do primeiro Adão, cujas qualidades nós perdemos tão logo quanto Adão rompeu sua conexão com Deus? Esta é a razão pela qual o Novo Adão Cristo veio.

Ele devolveu a imortalidade aos homens, recuperou aquilo que foi perdido no Paraíso e nos deu ainda mais; mas eles dizem que Adão nasceu da morte, e que todo o mundo da primeira criação estava cheio de morte, destruição e perdição como algo completamente natural. Para que Cristo retornaria a nós se tudo tem sido controlado pela mutação desde o princípio?

Como podem eles investigar a sempiterna virgindade da Mãe de Deus, na qual Deus o Espírito Santo agiu, ao invés das leis da biologia?

Não, a ciência nada dirá acerca de algo que seja mais elevado do que o mundo criado, mais elevado do que a natureza desintegrante, sobre deificação, sobre a ação transfigurante da graça de Deus. Ela não pode dizer nada sobre a condição do mundo antes da entrada da lei do pecado nele.

Estudando o mundo de acordo com a Queda, enxergamos apenas parte da imagem de todo o universo. Portanto, como podemos crer em tal ciência?

Essa é a razão pela qual aqueles que adquiriram graça, que ascenderam até a contemplação de Cristo e de Sua Luz Incriada até mesmo durante esta vida, ou seja - nem eu, nem você, mas pessoas santas - viveram conforme uma diferente intuição.

Essa intuição deixa os dados científicos do mundo mortal para trás, tendo em vista o paradisíaco mundo da primeira criação. Estudando o mundo conforme a Queda e o homem em seu estado pecaminoso, vemos apenas parte da imagem - isto é, nem sequer perto do todo. A ciência que estuda apenas a parte não pode ser objetiva, pois não vê o todo - nem quanto ao universo, nem quanto ao próprio homem.

É difícil chegar a um acordo com pessoas que possuem diferentes opiniões sobre as origens. A conexão com nossa genealogia é como um pilar de nossa existência, é o cerne que define o homem e seu comportamento.

Todos tomam algo de suas genealogias, algo que imita em suas vidas, alguns até justificam a si mesmos, citando suas origens antigas. A escolha cabe a cada um de nós.

Eu compreendo que em resposta eles irão apontar dados e fórmulas da biologia, geologia, arqueologia, paleontologia e todo o resto, além de evidências de Ilya Prigogine, Stephen Hawking e outros astros deste mundo.

Eles dirão: "Como você não é um descendente de um macaco primitivo? Eis aqui, veja por você mesmo".

Não meus amigos, eu não sou seu descendente, embora vocês possam me matar com o mesmo velho porrete. Os proponentes da evolução são meus irmãos e irmãs, mas um chimpamzé não é meu irmão e um macaco não é minha irmã.

No Evangelho de Lucas, lemos sobre a genealogia de Cristo, e lá está escrito que Ele, conforme Sua humanidade, remonta à raiz da espécie, o filho de... Enos, Sete, Adão e Deus (Lucas 3:38). Não há outro ancestral entre o primeiro homem Adão e Seu Criador, Deus. O que é mais próximo e caro para nós: Cristo com Sua natureza transfigurada, ou um mito sobre a origem dos primatas com caudas?