Imediatamente Após o Ecumenismo, Veio a Homossexualidade

"Atualmente, nossos Bispos não se atrevem a lutar corajosamente contra o pecado de Sodoma, pois eles mesmos atropelam o Evangelho, tolerando sodomitas, fornicadores e pedófilos na comunidade da Igreja e não os removendo do corpo da Igreja".

"Em vez disso, ela faz com que a justiça eclesiástica se volte contra aqueles que sofrem pela Ortodoxia, por sua pureza; os acusando de desobediência e até mesmo de provocar uma divisão daqueles que são fiéis à Tradição".

Este artigo é do capítulo 1 do excelente livreto - Abençoada Desobediência ou Maldita Obediência?

Capítulo 1

Imediatamente Após o Ecumenismo, Veio a Homossexualidade

Avaliando objetivamente a situação em que a Igreja se encontra hoje, deve-se reconhecer que ela se desviou fortemente da Tradição, tendo participado do movimento ecumênico herético [16]. O resultado disso foi que houveram outros desvios. Assim, no ambiente eclesiástico há um rápido declínio moral, muitos clérigos abandonam completamente o Evangelho e o modo de vida patrístico, e uma parte considerável do episcopado cerca-se de luxo, superando nisso muitas vezes até mesmo as pessoas seculares.

Tudo isso, naturalmente, é o resultado de um esfriamento da fé. Contudo, as próximas relações atuais da Igreja com os Católicos, as honras e recepções prestadas ao Papa na Grécia [17] e em outros países Ortodoxos [18], provavelmente também fundamentam a adoção do modo de vida secular do clero Católico por muitos clérigos, e justificam um prazer absoluto, desprovido de ideais Evangélicos e Patrísticos, na “vida” de alguns de nossos sacerdotes e arciprestes modernos.

Anteriormente, escrevemos que o pontífice veio à Grécia e lá permaneceu. Acontece que ele já foi embora. Contudo, tendo deixado a Grécia, ele nos deixou também um grande número de "papas", de vários tamanhos e dignidades, plantando em toda parte a paz Católica.

Especialmente assustador é que as paredes da Igreja foram penetradas pelo pior pecado de Sodoma - a homossexualidade. Tais escândalos, relacionados aos nomes de alguns hierarcas, tendo sido deixados sem a devida atenção e consideração ao longo dos anos, sem nenhuma cura espiritual, desacreditam o Presbitério honesto e causam desconfiança da palavra da Igreja. Quem agora acreditará em nós, os pastores, quando falarmos de modéstia, desambição, desprezo por todas as coisas mundanas e terrenas, ascetismo, abstinência e virgindade?

No entanto, a maioria dos clérigos já parou de falar sobre isso há muito tempo, porque eles próprios não acreditam em nada disso. Outros, hipocritamente, se proclamam virtuosos em palavras, mas suas ações testemunham o contrário.

A terrível ira de Deus derramou-se sobre os Sodomitas por causa de sua sodomia, o fogo do céu queimou por completo Sodoma e Gomorra  [19], varrendo essas cidades antigas da face da terra. Palavras iradas contra a homossexualidade estão contidas na Epístola do Santo Apóstolo Paulo aos Romanos, no entanto, também em outros textos sagrados. Ao tomar ciência do caso de fornicação entre pessoas próximas em Corinto [20], o Apóstolo exigiu que a pessoa lasciva fosse expulsa da comunidade da Igreja para que seu exemplo não se tornasse um mal fermento. Como ousaremos julgar o mundo, argumenta o Apóstolo das muitas línguas, se deixamos o pecado intocado no corpo da Igreja? “Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais. Porque, que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro? Mas Deus julga os que estão de fora. Tirai pois dentre vós a esse iníquo" (1 Coríntios 5:11-13).

Poderia o Apóstolo, no entanto, bem como outros discípulos de Cristo e os Santos Padres, imaginar que chegaria um tempo em que o Evangelho seria violado e a lei de Deus não teria poder? Que não apenas os fornicadores não seriam excomungados da Igreja, mas os Sodomitas também teriam permissão para subir ao trono, tocar vasos sagrados com suas mãos sujismundas? Poderiam os santos de Deus pensar que participaríamos do Conselho Mundial de Igrejas e que não apenas comeríamos, mas também realizaríamos orações em conjunto com pseudo-Cristãos, com representantes das "igrejas" que se afastaram tanto da verdade que começaram a abençoar o casamento entre pessoas do mesmo sexo?

Atualmente, nossos Bispos não se atrevem a lutar corajosamente contra o pecado de Sodoma, pois eles mesmos atropelam o Evangelho, tolerando sodomitas, fornicadores e pedófilos na comunidade da Igreja e não os removendo do corpo da Igreja.

Portanto, o ensinamento Eclesiástico mencionado contrário à homossexualidade ricocheteia contra aqueles que ousam pronunciá-lo, apoiado pelo seguinte contra-argumento: “Por que não percebeis vossa vergonha? Por que não vedes um vício vergonhoso e antinatural em seu meio?".

Infelizmente, hoje os hierarcas da Igreja preferem manter boas relações com os poderes existentes, acatando seus planos mundanos: sincréticos, globalistas, ecumênicos, ambientais e sociais (hipócritas, na realidade). Eles aparentemente se esqueceram que não há nada mais valioso e precioso que Deus e a verdadeira fé; que apenas Cristo é a Luz do mundo e que o seu ministério e missão mais importante é testemunhar, pregar e revelar esta Luz, que invariavelmente brilha na Igreja Santa Católica (Católica) e Apostólica. Tudo o que está fora da Igreja é a “Galiléia das nações, um povo assentado em trevas” (São Mateus 4:15–16), que deve ser trazido à luz e não deixado nas trevas da impiedade, do erro e da heresia.

Nenhum homem pode, em si mesmo, ser fonte de luz, não pode emitir sua própria luz. Ao acreditar contra toda razão que ele emite luz, essa pessoa de fato apenas torna mais espessa a escuridão. Mesmo no que diz respeito ao maior dos nascidos de mulher, São João Batista, o Evangelista escreve que “Não era ele a luz, mas [veio] para que testificasse da luz. [Ele] veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele" (João 1:8,7).

Aquele que não crê que a salvação em Cristo é possível somente na Igreja, mas acredita que pode ser encontrada em reuniões heréticas, não apenas não é salvo, mas também constantemente sofre em si a ira castigadora de Deus: “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” (João 3:36).

Teria a Luz de Cristo, que a todos ilumina e está sempre a brilha na Igreja, algo em comum com as trevas do ecumenismo, igualando-se e equacionando-se a todas as religiões e confissões de fé? A quem preferimos: O asceta, igual-aos-anjos e Precursor Celeste, ou os líderes ecumênicos isolados e mundanos? Obedeceremos a estes - por meio de quem aquele antigo ciciante e tentador, que uma vez sussurrou para Cristo, sussurra para nós sobre bênçãos terrenas, vaidade e poder?

Não somos mais a luz do mundo, pois não brilhamos com a pureza de nossas vidas, nem o sal da terra, pois não protegemos o mundo da crescente decadência moral. Portanto, como espiritualmente indignos, somos desprezados e pisoteados pelas pessoas: “Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens" (Mateus 5:13).

Anteriormente, nossa Igreja, nossa ascética, santa e imaculada Ortodoxia, graças à vida virtuosa dos pastores Ortodoxos, tinha o direito moral de denunciar o estilo de vida pródigo do clero Católico Rromano, como, por exemplo, São Simeão de Tessalônica, o Mistagogo [21]:

“Mas até mesmo a fornicação não é punida por seus sacerdotes, eles até possuem abertamente concubinas e jovens em prol da devassidão, e ao mesmo tempo agem como sacerdotes... Eles vivem uma vida contrária ao Evangelho, porque nenhum de seus prazeres e devassidões é sujeito a censura, não sendo considerados como algo inadmissível para os Cristãos".

Hoje, o nosso clero, que se tornou um centro de sodomitas e pervertidos, é assolado pela decadência moral. A hierarquia, no entanto, não está nenhum pouco preocupada em como proteger os jovens de serem seduzidos do caminho verdadeiro, ou em como impedir toda a sua comunicação com personalidades perversas, especialmente os de dentro da Igreja. Em vez disso, ela faz com que a justiça eclesiástica se volte contra aqueles que sofrem pela Ortodoxia, por sua pureza; os acusando de desobediência e até mesmo de provocar uma divisão daqueles que são fiéis à Tradição.

Todavia, poderia a declaração de tais fatos, que testemunha sobre o declínio cada vez maior da moral entre os clérigos, realmente confundir e insultar os crentes, constituindo-se uma tentação?

De fato, nossas observações sobre questões de fé e vida da igreja preocupam a muitos, e talvez até os deprimam. Contudo, levantamos esses problemas com a melhor das boas intenções, e não por causa de qualquer hostilidade pessoal a alguém. Honrando a dignidade episcopal e a de bons arciprestes, nunca incitamos ninguém ao cisma. Nós também não pretendemos fazer isso no futuro.


Este artigo é do capítulo 1 do excelente livreto - Abençoada Desobediência ou Maldita Obediência? — escrito pelo Arcipreste Teodoro Zisis.