Discurso sobre o Amor

Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo entregou-nos o ensinamento perfeito sobre a salvação. Ele próprio foi o primeiro a implementar o que ensinou. É ele quem "pratica e ensina" (São Mateus 5:19). Ele também nos deu a parábola do Bom Samaritano como um exemplo de amor real. Mas o Bom Samaritano mais notável é o próprio Cristo, que tomou sobre si a nossa natureza torturada por salteadores, ou seja, por demônios, as paixões, e a maldade humana, depois ressuscitou-a e deu-lhe vida através da Sua morte na cruz e da Sua ressurreição.

Todos sabemos agora que o amor Cristão perfeito é universal; é amor por todos, mesmo pelos nossos inimigos. Isto é algo que todos nós sabemos mas que temos dificuldade em viver. Mesmo entre os mais próximos de nós, nas nossas famílias, no trabalho, há pessoas de quem não gostamos muito. Por vezes é este o caso, apesar de nada nos terem feito, ou algo muito pequeno, ou algo que pensamos que possam ter feito. Basta-nos sentirmo-nos frios e, por vezes, hostis para com elas. Mas onde está o amor Cristão em tais casos? Temos de lutar muito para nos libertarmos de tais antipatias, que nos roubam o amor de Cristo e não nos ajudam a ser os Seus verdadeiros discípulos.

São Paulo ensina que este amor perfeito de Cristo não pode ser alcançado apenas através dos nossos próprios poderes, porque todos nós, em maior ou menor grau, estamos doentes, espiritualmente indispostos. A nossa vontade é fraca e a nossa mente é obscurecida. É mister a iluminação do Espírito Santo. Lembrem que é por isso que, na sua Epístola aos Gálatas, São Paulo inclui o amor entre as maiores das virtudes: "Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, indulgência, bondade, benignidade, fidelidade, mansidão e autodomínio" (Gálatas 5:22-23).

Por isso, tentaremos, pois, esforçar-nos por adquirir o amor, mas é necessário que também solicitemos a graça do Espírito Santo: para iluminar-nos, purificar-nos das paixões e da falta de amor e dar-nos o dom do amor. Então, quando o Espírito Santo responder ao nosso pedido, à nossa oração, ao nosso desejo e aos nossos esforços, Ele nos dará o dom do verdadeiro amor. Então, seremos discípulos bons e verdadeiros do mestre do amor, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Eu contarei apenas uma história de que me lembro e depois terminarei. É sobre um pequeno rapaz Ortodoxo Grego que viveu em Alexandria, no Egito. Quando brincava com outras crianças, pequenos Muçulmanos, se eles lhe batiam, ele não lhes batia de volta, não pagava na mesma moeda. As outras crianças, os seus amigos, perguntaram-lhe uma vez: "Se as pessoas nos batem, nós batemos-lhes de volta. Mas reparamos que quando você é golpeado, não bate de volta, não retribui o que recebe". E esta criança abençoada e esclarecida respondeu: "Sou um discípulo de Cristo. Cristo disse-nos para não revidarmos. Por isso, não o faço". Uma das outras crianças, um Muçulmano, ouviu isto e se comoveu. Quando cresceu, veio a conhecer Cristo e tornou-se um Cristão. Ele foi batizado e tornou-se Cristão.

É assim que os discípulos de Cristo devem ser. Deveríamos imitá-Lo em todas as coisas e no amor. Devemos sempre cultivar este espírito de verdadeiro amor para com todas as pessoas, particularmente aquelas por quem sentimos frieza e por quem temos sentimentos negativos. Não há necessidade de irmos à procura de inimigos para amar, porque muitas vezes não podemos nem sequer amar as pessoas com quem vivemos, que estão na nossa casa, entre os nossos parentes, por vezes na nossa comunidade.

Por isso, pais e irmãos Cristãos que estão aqui agora*, vamos todos começar a fazer um esforço sincero para aceitar cada pessoa, seja ela quem for, como nosso irmão ou irmã e amá-la como devemos amar o próprio Cristo.

Que sejamos portanto abençoados pela graça do Espírito Santo neste assunto, que é o princípio e o fim da vida Cristã. Como já disse, sem amor não podemos ser verdadeiros discípulos de Cristo.


*Esta é uma palestra proferida durante uma refeição no refeitório do Mosteiro de Grigoriou

Fonte: pravmir.com (Inglês)