De Meretrizes a Santas: Imitando Santa Maria do Egito

No domingo passado celebramos a semana de Santa Maria do Egito, recordando sua vida como um exemplo vívido da profundidade do arrependimento. Mas das hagiografias dos santos Ortodoxos, conhecemos outros casos surpreendentes de quando meretrizes se arrependeram sinceramente de seus pecados e se tornaram santas.

Venerável Pelagia, a Penitente

Santa Pelagia, a Penitente, foi convertida ao Cristianismo por São Nono, Bispo de Edessa (sábado antes da Quaresma). Antes de sua aceitação do Cristianismo através do Batismo, Pelagia era chefe de uma trupe de dança na Antioquia Palestina, vivendo uma vida de frivolidade e prostituição.

Um dia, Pelagia, elegantemente vestida, estava passando por uma igreja onde São Nono estava pregando um sermão. Os crentes viraram seus rostos para longe da pecadora, mas o Bispo a seguiu com os olhos. Atingido pela beleza exterior de Pelágia e tendo previsto a grandeza espiritual dentro dela, o santo orou em sua cela por um longo tempo ao Senhor pela pecadora. Ele disse a seus companheiros Bispos que a prostituta fazia com que todos passassem vergonha. Ele explicou que ela tinha muito cuidado em adornar seu corpo a fim de parecer bela aos olhos dos homens. "Nós... não pensamos no adorno de nossas almas miseráveis", disse ele.

No dia seguinte, quando São Nono estava ensinando na igreja sobre o temível Juízo Final e suas consequências, Pelagia veio. O ensinamento causou-lhe uma tremenda impressão. Com o temor de Deus e lágrimas de arrependimento, ela pediu ao Santo o Batismo. Ao ver seu arrependimento sincero e pleno, o bispo Nono a batizou.

À noite, o diabo apareceu a Pelagia, exortando-a a voltar à sua vida anterior. A santa orou, persignou-se com o sinal da cruz, e o diabo desapareceu.

Três dias após seu batismo, Santa Pelagia reuniu seus objetos de valor e os levou ao Bispo Nono. O Bispo ordenou que fossem distribuídos entre os pobres dizendo: "Que isto seja sabiamente disperso, para que estas riquezas adquiridas pelo pecado se tornem uma riqueza de retidão". Depois disso, Santa Pelagia viajou até Jerusalém, ao Monte das Oliveiras. Ela viveu lá em uma cela, disfarçada como o monge Pelágio, vivendo em reclusão ascética, e alcançando grandes dons espirituais. Quando morreu, ela foi enterrada em sua cela.

Venerável Taís do Egito

Santa Taís do Egito, criada por sua mãe com um espírito distante da piedade Cristã, levou uma vida depravada e dissoluta. Ela era famosa por sua beleza, conduzindo muitos no caminho da perdição.

O relato sobre a pródiga Taís se espalhou por todo o Egito e chegou até mesmo a São Pafnúcio, um asceta rigoroso que havia convertido muitos à salvação. Pafnúcio se vestiu com trajes mundanos e foi até Taís, dando-lhe dinheiro como se quisesse pagar por seus favores. Ele fingiu ter medo de que alguém os visse, então perguntou a ela se havia um lugar onde não seriam descobertos. Taís disse que eles podiam trancar a porta e desfrutar de total privacidade. "Mas se você teme a Deus", disse ela, "não há lugar onde você possa se esconder dEle". Vendo que ela sabia sobre Deus e o castigo dos ímpios, o Ancião perguntou por que ela levava uma vida pecaminosa e seduzia outros a arruinarem suas almas. Ele lhe contou sobre o castigo eterno que ela teria que enfrentar por seus próprios pecados e pelas pessoas que haviam sido corrompidas e destruídas por ela.

As palavras de São Pafnúcio afetaram tanto a pecadora que ela reuniu todas as suas riquezas adquiridas através de sua vida vergonhosa e depois as incendiou na praça da cidade. Então São Pafnúcio a trancou em uma pequena cela, onde por três anos ela viveu em reclusão. Voltando-se para o Oriente, Taís repetia constantemente a curta oração: "Meu Criador, tenha piedade de mim!

"Desde o momento em que entrei na cela", disse Taís ao Ancião antes de sua morte, "todos os meus pecados estavam constantemente diante dos meus olhos, e eu chorava quando me lembrava deles".

São Pafnúcio respondeu: "É por suas lágrimas, e não pela austeridade de sua reclusão, que o Senhor lhe concedeu misericórdia".

Santa Taís ficou doente por três dias, depois adormeceu no Senhor. Então esta mulher, que tinha sido prostituta e pecadora, entrou no Reino de Deus antes de nós (Mt 21,31). São Paulo, o Simples (4 de outubro) viu em uma visão o lugar preparado para a penitente Taís no Paraíso.

Venerável Zoé de Belém

A Venerável Zoé viveu em Cesaréia da Palestina nos séculos IV-V e, como Santa Maria do Egito, foi uma famosa prostituta. Uma vez na cidade onde ela vivia, espalhou-se um rumor de que um eremita justo chamado Martiniano havia se estabelecido no deserto próximo. As pessoas falavam muito de sua virtude, então Zoé, por seu orgulho, decidiu seduzir esse santo homem. Ela até fez uma aposta por dinheiro com uma de suas amigas de que o monge não lhe resistiria.

Disfarçada de vagabunda, a prostituta foi até a cela de Martiniano à noite e começou a seduzi-lo sem pudor. Entretanto, o Santo não sucumbiu à tentação da luxúria, permanecendo com os pés sobre as brasas. Ao ver uma determinação tão incrível na luta contra o pecado, no qual Zoé viveu descuidadamente toda sua vida, ela ficou horrorizada. Em lágrimas, a mulher atirou-se aos pés do santo, pedindo perdão pelo que ela queria fazer. Martiniano a abençoou para deixar todas as coisas mundanas e ir para um convento. Zoé passou o resto de sua vida no convento indicado pelo eremita em jejum e oração salvíficas. Não muito antes de sua morte, Zoé recebeu o dom de curar as pessoas - assim o Senhor misericordioso mostrou à asceta que Ele aceitou seu arrependimento sincero.


Fonte: obitel-minsk.com (Inglês)

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