A Importância de se Viver em um Só Lugar para o Crescimento Espiritual

"Não consideraríamos mudar de médico a cada poucos anos, não quando nosso médico conhece nosso histórico de saúde e está atento a mudanças em nosso corpo que precisam de atenção. Quanto mais a alma precisa da orientação de um sacerdote que realmente nos conhece, tendo estabelecido uma relação de confiança. . ."

Disse um Ancião: Assim como uma árvore não pode dar frutos se é frequentemente transplantada, também um monge não pode dar frutos se muda de residência com frequência.

Em uma época em que as pessoas mudam de endereço com a mesma frequência com que as de gerações passadas mudavam de meias, a estabilidade de lugar é quase inaudita. Quando eu era jovem, mudava-me de cidade em cidade com bastante frequência. Em apenas um ano vivi em Nova York, Berkeley, Califórnia e Portland, Oregon. Se eu odiava um emprego, eu me mudava. Se minha vida social estivesse com problemas, eu me mudava. Me reinventar em um novo local se tornou a norma. Na minha tentativa de descobrir meu lugar neste mundo, eu não podia ficar em um mesmo lugar por muito tempo.

À medida que fui ficando mais velho e mais sábio, percebi que as questões que precisavam ser tratadas tinham sido evitadas a cada mudança. Se eu quisesse crescer psicológica e espiritualmente, precisava criar raízes.

No monaquismo Ortodoxo há quatro votos: pobreza, castidade, obediência e estabilidade de lugar. Desde o início do monaquismo, os monges perceberam que o crescimento espiritual não era possível sem luta e uma boa maneira de evitar transformações era mudar-se de um lugar para o outro. Se estamos vivendo com outros que conhecem nossas fraquezas, não é fácil evitar transformações. Mudar frequentemente de um emprego para outro, de um relacionamento para outro, de um bairro para outro, ou de uma cidade para outra, é uma maneira segura de evitar o crescimento espiritual.

Muitos casamentos terminam em divórcio porque os casais não tinham a estabilidade de lugar necessária que lhes teria permitido enfrentar aquelas questões que precisavam ser mudadas. A mudança de uma paróquia para outra também é uma forma de muitas pessoas evitarem amadurecer em sua fé. A mudança de uma igreja para outra é tão destrutiva para a vida espiritual quanto a mudança de cidade para cidade. A fuga é a inimiga da transformação.

Devemos permanecer com o sacerdote ou confessor que realmente nos conhece. A transformação espiritual leva tempo, e mudar de confessor inibe o crescimento, já que perderemos tempo deixando o novo sacerdote nos conhecer. Não consideraríamos mudar de médico a cada poucos anos, não quando nosso médico conhece nosso histórico de saúde e está atento a mudanças em nosso corpo que precisam de atenção. Quanto mais a alma precisa da orientação de um sacerdote que realmente nos conhece, tendo estabelecido uma relação de confiança. Todos precisamos da orientação de alguém que não nos permite evitar de trabalhar naquilo que inibe o crescimento em nosso relacionamento com Deus.

A estabilidade pode ser para nós o veículo pelo qual somos capazes de enfrentar os hábitos, pecados e vícios, que inibem Deus de transformar nossas vidas e de nos tornar inteiros. O movimento constante só nos permite nos esconder de nós mesmos.

Com amor em Cristo,
Abade Trifão


Fonte: abbottryphon.com (Inglês)

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