Por que a Monarquia é Realmente Uma Forma Viável de Governo (Dica: Está na Bíblia)

Uma defesa vigorosa da forma de governo mais detestada do Ocidente. Qual a sua opinião sobre o assunto?

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“O Governo de muitos não é bom. Que haja um só governante, um só rei”.

— Ilíada, livro II, 203-204

É possível que haja ainda outro nível de unidade nacional, um caminho aberto pela Santa Ortodoxia.

Como Constantino Malofeev, fundador da Tsargrad TV e Presidente da Fundação de Caridade São Basílio, o Grande, observou em uma entrevista recente: “Hoje, 5% da população vai à Igreja no Domingo. Quando isso for 30% ou mesmo 50%, a questão da monarquia aparecerá por conta própria”.

É natural supor que, todo o mais constante - as pessoas não aprendendo menos e, portanto, não sabendo pior - podemos admitir com segurança que a participação nos Serviços Divinos aumentará. Chegará o dia em que a questão será proposta.

A monarquia não é apenas mais um sistema político como os demais, conforme o pensamento da Igreja. É a ordem natural e sobrenatural das coisas. Como São João de Kronstadt disse:

"No inferno há democracia, mas no Céu um reino" (Демократия - в аду, а на Небе - Царство).

A monarquia é a única forma de governo elaborada nas Sagradas Escrituras. A Igreja até um século atrás não conhecia outra [forma de governo]. Começando com a conversão de São Constantino nos idos do Império Bizantino; até a conversão do Grande Príncipe São Vladimir; terminando, por fim, no Império Russo da Dinastia Romanov.

No que ela consiste?

A monarquia Ortodoxa é aquela forma de governo único por um soberano, ungido de Deus pela Santa Igreja, que jura servir seus súditos; prover para o seu bem; agir no interesse da nação; defendê-los e proteger a Igreja; defender a pureza da Fé Ortodoxa; e zelar pela segurança e qualidade de vida de todo o seu povo, independentemente de religião ou confissão.

Seus súditos, por sua vez, juram lealdade ao soberano.

Soberano e súdito são igualmente responsáveis ​​perante a Lei de Deus conforme preservada e interpretada pelos Concílios Ecumênicos e pelos Santos Padres.

Ambos também são responsáveis ​​perante o código penal do país, quando aplicável.

***

Mesmo com sua imaginação infinita, Gogol não poderia ter imaginado uma Rússia sem um Czar.

Em Diário de um Louco, é a notícia da vacância do trono Espanhol que abala a já quebrada sanidade de Aksenty Ivanovich.

[...] Há coisas estranhas acontecendo na Espanha [...] Eles escrevem que o trono está vazio e os grandes estão em dificuldades para eleger um herdeiro, o que está a causar uma perturbação generalizada. Isso me parece extremamente estranho. Como pode um trono estar vazio? Dizem que alguma dona deve assumir o trono. Nenhuma dona pode aceder ao trono. É totalmente impossível. Só pode haver um rei em um trono. Entretanto, eles dizem que não há rei. Nenhum Estado pode existir sem um rei. Existe um rei, mas ninguém sabe quem ele é [...]

Tal dificuldade levou a esta declaração:

13º dia de abril do ano 2000

Hoje celebramos um acontecimento muito ilustre! A Espanha tem um rei. Ele foi encontrado. Eu sou esse rei.

Não foi por falta de visão que Gogol não pôde conceber a Rússia sem um Czar. Ele estava ciente da alternativa. A ideia do Iluminismo era conhecida por ele. Uma das cartas mais interessantes em sua correspondência publicada é inteiramente sobre o tema do Iluminismo. Ele viveu depois que a ideia foi indevidamente apropriada e mal aplicada (com violência) na França e (pela guerra civil) nos Estados Unidos da América. Ele sabia o que era a democracia liberal e o republicanismo democrático.

Gogol não enxergava o Iluminismo como contrário à Santa Ortodoxia, à monarquia ou em qualquer sentido negativo. Na verdade, ele se refere com entusiasmo às medidas gerais de Pedro, o Grande, e localiza o fracasso do Império Russo em atingir todo o seu potencial nas pessoas - ele mesmo incluso.

Quem quer que ao ver esses espaços desabitados e vazios não atenuados pela vila ou lar não se sinta deprimido, quem nos sons tristes de nossas canções não ouve repreensões dolorosas a si mesmo - de fato, a si mesmo - ou cumpriu seu dever como deveria, ou não é um Russo em sua alma. Quase 150 anos se passaram desde que nosso soberano Pedro I limpou nossos olhos pelo purgatório do iluminismo Europeu; ele colocou em nossas mãos todos os meios e instrumentos de ação [...]

No entanto, Gogol encontra por fim alguns defeitos. Todavia, da melhor maneira possível. É o tipo mais detestável de preguiça intelectual criticar, morder, dilacerar, destruir e não oferecer alternativas. Por outro lado, o melhor tipo de engajamento consciente é oferecer novas idéias e perspectivas, criar novas possibilidades - construir, não quebrar, fazer pontes e não queimá-las.

Gogol Crossing the Dnepr Anton Ivanov

Gogol Cruzando o Dniepre, por Anton Ivanov.

A percepção de Gogol foi que a preocupação Francesa com o Cristianismo cismático e sectário Ocidental não deveria ser transportada para o Império Russo. Até mesmo Pedro e Catarina (os Grandes) parecem ter sentido isso instintivamente, embora ainda, infelizmente, captassem o contagiante desprezo pelo monaquismo do contato com polemistas Ocidentais.

Gogol percebeu que a Igreja é o veículo do Iluminismo autêntico, não um impedimento (Pedro e Catarina) ou seu inimigo (Voltaire).

A visão plena e total da vida permaneceu na Igreja Oriental, manifestamente reservada para a educação posterior e mais completa do homem. Ela tem lugar não apenas para a alma e o coração do homem, mas também para sua razão, em todos os seus poderes supremos; nela está o caminho e a via pelo qual tudo no homem se tornará um hino harmonioso ao Ser Supremo [...]

[...] Iluminar não significa ensinar, ou edificar, ou educar, ou mesmo iluminar, mas iluminar completamente um homem em todas as suas faculdades e não apenas em sua inteligência, [significa] fazer passar toda a sua natureza através de um fogo purificador. Esta palavra é emprestada de nossa Igreja, que a pronuncia há quase mil anos, apesar de toda a treva e escuridão ignorante que a rodeia por todos os lados, e ela sabe por que a pronuncia. Não é à toa que o Bispo, na celebração do serviço religioso, levanta com uma das mãos o candelabro de três braços, que significa a Santíssima Trindade, e com a outra o candelabro de dois braços, que significa a descida à terra da Palavra em sua dupla natureza, Divina e humana, que por elas esclarece todas as coisas, pronunciando: "Que a Luz de Cristo ilumine a todos!". Não à toa em outro momento do serviço são trovejadas as palavras, como que desde os Céus: "Senhor da iluminação!", e nada mais é acrescentado.

Os arquitetos originais do ideal e seus expoentes durante o Iluminismo Francês, apesar de seu anticlericalismo, eram eles próprios monarquistas - inclusive Voltaire. Esses pensadores foram mais bem-vindos em São Petersburgo do que em Paris. Vários, novamente entre eles Voltaire, mantiveram uma correspondência constante com Catarina, a Grande, confidenciando grandes esperanças na Rússia.

Os verdadeiros ideais Iluministas inicialmente compreendiam:

  1. O Governo dos Reis
  2. Tolerância religiosa (não irreligiosidade oficial do Estado)
  3. Gosto elegante em arte e literatura

Que o monarquismo Ortodoxo atende ao critério de governo dos reis melhor do que a democracia liberal, não carece de nenhuma argumentação da minha parte.

Quanto à tolerância religiosa - um Estado irreligioso não é tolerância à religião. É, ao contrário, a forma mais elevada de intolerância, pois não dá lugar e não concede nenhuma participação no governo à religião da maioria - embora este sistema de governo ainda seja considerado representativo do povo.

A exclusão generalizada a priori é a intolerância flagrante de todas as religiões no aspecto mais vital da vida e do funcionamento de uma nação: o governo. Não é tolerância religiosa quando a única menção que a religião justifica em uma Constituição ou código de lei é um aviso de que ela não tem lugar nos assuntos do Estado.

Em contraste, o monarquismo Ortodoxo torna a religião do povo o fator definidor do Estado, da mesma forma que define a maioria dos cidadãos como indivíduos. Embora o Império, o Czar e a família real devam ser, por definição, Ortodoxos, a liberdade religiosa é concedida às minorias heterodoxas e até mesmo incentivada em frases que se assemelham nitidamente ao Edito de Tolerância de Milão de 313 pelo primeiro Imperador Ortodoxo.

Lemos no Capítulo VII, 67, das Leis Fundamentais Imperiais Russas de 1906:

A liberdade religiosa é concedida não apenas aos Cristãos de seitas estrangeiras, mas também aos Judeus, Muçulmanos e Pagãos; para que todos os povos residentes na Rússia possam glorificar o Deus Todo-Poderoso em várias línguas de acordo com as leis e confissões de seus ancestrais, abençoando o reinado dos Monarcas Russos e implorando ao Criador do universo para aumentar o bem-estar da nação e fortalecer o poder dos Império.

Quanto ao gosto elegante em arte e literatura. Parece-me, um classicista convicto, que é tão óbvio que o gosto e a literatura desapareceram junto com a realeza do mundo moderno da mesma forma que o monarquismo cumpre melhor a condição de governo dos reis do que a democracia liberal. A melhor prova: ninguém se importa.

Ninguém sentiria hoje qualquer desejo de reivindicar ter gosto, muito menos gosto elegante, na arte e na literatura. A maioria, de fato, valorizaria acima de tudo sua própria alegação de não o fazer. Elegância e bom gosto são tão antiquados! A mente fica confusa, os olhos rolam, o peito arfa, o coração suspira. Triste, mas é assim.

Do outro lado da moeda, a Santa Ortodoxia é a Mãe do que chamamos de elegância, gosto, arte e literatura. Nossos templos e altas catedrais, cúpulas douradas e cruzes cintilantes, nossos ícones iluminados por lâmpadas, nossos grandes compositores e escritores incomparáveis ​​junto com seus temas, assuntos e inspiração. Tudo isso vem da Santa Ortodoxia. Tudo isso foi patrocinado e apoiado por nossos Czares.

***

Para o leitor moderno, uma pequena observação sobre a viabilidade do monarquismo é necessária.

Por acaso tua reação pensativa é algo na linha de: “Monarquismo! Sério? Este é o dia auspicioso do roubo de identidade e dos armamentos nucleares. Já deixamos para trás a realeza"?

Consultemos a Enciclopédia: “Preconceito é uma opinião sem julgamento”.

Como dizem, vivendo e aprendendo. Hoje você aprendeu que aquela reação irracional é preconceito. Esse preconceito particular é sustentado por várias afirmações falsas amplamente em circulação sobre o monarquismo.

Que o monarquismo é inflexível, que invariavelmente produz tiranos e que foi quase universalmente eliminado pela oposição populista assim que as sociedades se tornaram suficientemente autoconscientes.

Que a monarquia é inflexível? Não é assim. As monarquias modernas mostraram-se realistas e adaptáveis ​​no início do século. Quase todas as monarquias modernas trabalharam dentro de códigos legislativos e com órgãos representativos, instituições civis, comitês consultivos, etc. A autocracia popular invertida surgirá no século XX na forma de ditadores democraticamente eleitos depois que as Coroas cairam por terra.

Tsar Nicholas II in a field hospital with his men during the Great War. Painting by Pavel Ryzhenko.

O Czar Nicolau II em um hospital de campanha com seus homens durante a Grande Guerra. Pintura por Pavel Ryjenko.

Quanto à tirania, regimes e ditaduras muito mais brutais e opressoras surgiram no mundo moderno sob os auspícios e em nome da democracia do que qualquer coisa que a monarquia já tenha produzido a esse respeito na história registrada.

Finalmente, a maioria das monarquias caiu principalmente como consequência das Guerras Mundiais e foi impedida à força de ser restaurada por potências estrangeiras - mais notavelmente os ferozmente antimonárquicos Estados Unidos da América. A presença de Woodrow Wilson em Versalhes é o início de um duradouro hábito Americano de interferir muito além de sua esfera legítima de interesses nacionais.

O Kaiser e o Sultão desaparecem após a Primeira Guerra Mundial; o primeiro foi explicitamente proibido de ser restaurado, enquanto o renascimento do último não era do interesse dos Britânicos ou dos Franceses.

Todos os monarcas da Europa Oriental caíram sob a sombra Soviética no pós-guerra - seu destino foi decidido por duas potências antimonárquicas vitoriosas: a URSS e os EUA.

De todas as monarquias modernas que chegaram ao fim na memória histórica recente, três foram consequência da oposição populista e apenas uma delas envolveu um referendo democrático (Itália, onde 59% votaram pela república).

***

A restauração do monarquismo Ortodoxo dificilmente precisa de minha própria defesa. Preconceitos e leviandades à parte, é óbvio que uma monarquia poderia governar um país com sucesso, defender seus interesses e facilitar os direitos legais de seus cidadãos, assim como a democracia liberal ou a república democrática.

Assim, se for a vontade do povo daquele país, como pode ser no decorrer do tempo na Federação Russa, então o governo verdadeiramente representativo seria uma monarquia.

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