Cristão Norte Americano Oferece Conselho Prático Sobre Mudar-se para a Rússia Rural

Hal Freeman, um Norte Americano que mudou-se com toda a sua família para a Rússia há alguns anos, divide sua experiência com aqueles interessados em mudar-se para a Rússia.

Sobre o autor: 

Hal Freeman é um cristão nascido nos EUA, acadêmico e blogueiro, que fez a definitva confissão ao mudar-se dos EUA para as províncias Russas com toda sua família há alguns anos. Sua mudança tornou-se eminente após tomar conta da orientação anti-família e da feroz propaganda política neste sentido no Ocidente, o que ele temia poder prejudicar o desenvolvimento moral de seus filhos.

Para saber mais sobre sua história, visite seu blog, que abre uma fascinante janela para a vida na Rússia e descreve como o Cristianismo está transformando a cultura, a política e o estilo de vida do país.


Visto originalmente em: Halfreeman

Periodicamente, eu faço uma pausa dos tópicos mais pesados e escrevo um blog em resposta àlgumas perguntas que me foram feitas acerca da vida aqui ou dos detalhes de mudar-se para a Rússia. As perguntas são feitas normalmente por pessoas que estão ou interessadas em mudar-se para cá ou que estão muito interessadas por outras razões pessoais.

Assim, eu tento pensar sobre as perguntas feitas com maior frequência e respondê-las. É claro, estou repetindo coisas que já escrevi. Eu odeio fazer isso, mas o número dos meus leitores aumentou mutíssimo em janeiro deste ano por alguma razão, e muitos Americanos estão interessados em detalhes acerca de uma mudança para a Rússia.

Eu não posso simplesmente dizer aos meus novos leitores, “Ah, vão ler alguns das minhas antigas publicações – eu já respondi esta pergunta em algum lugar”. Por favor, perdoem a repetição. Eu desejo relembrar (ainda outra vez) que minha vida na Rússia é a de uma pequena cidade na Rússia. As coisas são diferentes em cidades como São Petersburgo ou Moscou. Talvez alguns dos meus amigos daqui queiram informar-nos de algumas diferenças.

O quê os Russos pensam de você?” Eu obviamente tenho que generalizar. Quando digo “Russos”, claramente eu não significo cada Russo individualmente. Estou apenas descrevendo em geral o que eu percebi como tendências. Os Russos tendem a ser o que eu chamo de “inquisidores discretos”. Isto é, os Russos raramente, se é que o fazem, começam a fazer perguntas quando me conhecem. Eles gostam de olhar, ouvir e de ir me conhecendo primeiro. Mesmo então a maioria quer muito evitar ser intrometida ou enxerida com um estrangeiro. Isto seria indelicado. Mas eles são curiosos irremediáveis. Algo aconteceu há algumas semanas que ilustra meu ponto.

Nós pegávamos um táxi de volta da igreja. Tentamos com frequência falar em Russo, mas nos sentíamos cansados e tínhamos acabado de estar na América, por isso falávamos em inglês. Eu estava sentado ao lado do motorista, cuja expressão nunca mudou, e Oksana e as crianças estavam no banco de trás.

Quando chegamos em nosso apartamento, Oksana pegou o cartão de Crédito para pagar-lhe enquanto eu tirava as crianças e dirigia-me para a porta. Em alguns minutos a Oksana veio e me disse para subir com as crianças. Ela estaria lá em alguns minutos.

As vezes a máquina de cartão de crédito tem algum problema para ler o cartão em alguns lugares, então eu pensei ter sido isso. Estávamos no apartamento por algum tempo até que ela finalmente chegou. Eu perguntei porque ela havia demorado tanto. Ela me disse que o motorista queria conversar. Ele tinha algumas perguntas.

Ele perguntou porque nós falávamos inglês. Oksana disse a ele que eu era um Americano e que vivemos na América por 8 anos. Ele disse, “Seu marido não é, hmm... ele...”, Oksana interrompeu-lhe e disse, “Sim, meu marido é um bom tanto mais velho do que eu”.

Ele respondeu, “Não, eu não me importo sobre isso. Seu marido é um Americano DE VERDADE?”.

Ela disse a ele que sim, que eu nasci e fui criado na América. O Motorista perguntou: “De onde veio, originalmente, sua família para a América?”. Oksana disse, “Bem, da Grã-Bretanha, mas isto foi há muitos, muitos anos atrás”. Ele pausou antes de continuar: “Como você o convenceu de vir morar na Rússia?”. Ela disse, “Bem, isto foi ideia dele. Foi ele quem tocou no assunto em primeiro lugar. Nós morávamos em São Petersburgo antes de mudarmos para a América, então ele já tem vivido aqui”.

Ela disse que ele tinha um olhar de absoluta confusão naquele momento. A ideia de um Americano sem ascendência Russa querer morar em Luga foi um pouco demais para ele. Ele ainda queria o porquê.

Ela disse, “Várias coisas. É muito caro viver na América; gastos com saúde são muito mais elevados do que os Russos podem imaginar; a situação política é sempre tempestuosa, e o tipo dos valores e da moralidade que são agora empurrados para cima das crianças pelo sistema não é o que queremos para nossos filhos. Você sabe, como todas aquelas coisas LGBT”.

Então ele pareceu entender. Sorriu e agradeceu-lhe copiosamente por conversar com ele. O fato de ter descoberto que um Americano quis mudar-se com a família para sua cidade natal fez o dia para o motorista.

Isto não acontece todos os dias, mas não é atípico em uma cidade pequena. Os Russos, para mim pelo menos, parecem divididos entre a necessidade de serem polidos e até mesmo distantes, e, por outro lado, o desejo de saber os detalhes sobre nossa família.

Se for de toda forma possível, eles irão, habitualmente, tentar esquivar-se de mim e perguntar a Oksana, para certificarem-se de que não ofenderão “o estrangeiro” com sua curiosidade. Em nossa experiência, estas perguntas nunca foram feitas com uma intenção negativa ou com maus sentimentos para conosco. Quando descobrem que sou um Americano que quis mudar-me para a Rússia, que estuda a língua Russa e que é Ortodoxo Russo, eles ficam muito interessados.

A sua esposa é Russa. E quanto aqueles de nós que não têm uma esposa Russa?” Eu penso que seria mais difícil de alguns modos, claro. A “burocracia” seria o maior problema. Eu mencionei ter solicitado Residência Temporária uma vez que meu visto de três anos expira no ano que vem e porque estou cansado de ter que deixar o país a cada seis meses.

O processo de inscrição foi doloroso. Os Russos amam documentos, carimbos e tudo que parece ser oficial. Que Deus não permita que você erre alguma coisa e tente corrigir no formulário! As filas nas quais eles fazem com que você espere para lerem seu formulário são horríveis.

O Obama disse uma vez que ninguém queria emigrar para a Rússia, mas ele nunca teve que esperar numa fila no Serviço de Imigração em São Petersburgo! De acordo com a ONU, no período de 2013 a 2015 a Rússia esteve em terceiro lugar em número de imigrantes.

Por outro lado, existe ajuda. Existem inúmeras agências que irão auxiliar-te com o preenchimento dos formulários e com a tradução e juramentação dos seus documentos, embora haja consideráveis custos involvidos. Um tabelião aqui é um pouco diferente do que na América. Aqui eles são treinados juridicamente, além de que aquele em que vamos trabalhou como advogado por algum tempo. Eles sabem redigir qualquer documento e garantir os selos corretos.

Naturalmente, muito depende de quão bem você ou sua esposa falam o idioma, mas há ajuda se você não é fluente. Eu tenho uma conta no Sberbank, o principal banco Russo. A agência local me ligou outro dia porque a Oksana tentou pagar sua conta de telefone diretamente da minha conta. Eu tive que verificar a transação.

Eles colocaram alguém do escritório que era fluente em Inglês para falar comigo. Se você não fala nada de Russo, será um grande problema, é claro. Todavia, eles vão cooperar com você mesmo que você tenha dificuldades e converse em um nível muito básico. Não tenha medo de admitir que você não fala bem Russo. Em algumas circunstâncias eu começo por explicar que sou estrangeiro e que tenho por vezes dificuldade com meu Russo. Funciona. Os Russos ligam o modo “ajudar o pobre estrangeiro” e, normalmente, acaba bem.

Eu pessoalmente nunca vi ninguém frustrado por eu não ser fluente em Russo. Apenas o fato de que eu posso expressar o que penso e o que preciso em Russo causa, na verdade, uma boa impressão. Eles não esperam que um Americano seja capaz de dizer QUALQUER coisa em Russo. Ma o princípio permanece: quanto mais você souber de Russo, mais fácil será. Isto é especialmente verdadeiro se nem o marido nem a esposa são Russos. Você PRECISA estar envolvido em estudar a língua, mas não precisa esperar até que esteja fluente.

Se você não está confortável com seu Russo, eu diria que você não deve mudar-se para uma cidade em que você não conhece nenhum falante do Inglês. Se você mudar-se para uma cidade grande, talvez seja mais fácil para você em termos do idioma. Eu não tive problemas quando morava em São Petersburgo porque sempre havia alguém por perto que falava inglês. Eu sempre estive pela cidade, indo até diferentes empresas para ensinar e Oksana nunca esteve comigo. Eu tinha então um Russo bem básico e sai-me bem.

Eu penso que se ambos os cônjuges estão aprendendo o Russo conjuntamente, isto é uma vantagem. Vocês se esforçam juntos e corrigem os erros um do outro. Eu já mencionei anteriormente que falo Russo muito confortavelmente com meu médico porque o Inglês dele é bem ruim. Eu não me importo em cometer erros, de forma que falo livremente em Russo.

Quando os pais da Oksana estavam aqui na outra noite, eu entendi o que estava sendo dito, mas contive-me de falar porque eu sabia que iria tornar a conversa mais vagarosa e porque a Oksana podia traduzir rapidamente. De fato, ajuda ter um cônjuge Russo que seja fluente em ambas as línguas. Todavia, isto provavelmente fez com que eu a usasse como uma muleta ao invés de ganhar mais prática.

Como você adaptou-se ao clima?”  Uma vez que sou da Carolina do Sul, tanto Russos como Americanos fazem-me esta pergunta. Na verdade, é a mais fácil de responder: isto nunca me incomodou. “Às vezes penso que as pessoas não acreditam quando eu digo, mas é a verdade. Eu disse para minha esposa na semana passada que o dia 22 de setembro sempre parece diferente para mim. É o primeiro dia do Outono e realmente parece como Outono. A temperatura era cerca de 10º celsius, o tempo meio acinzentado e as folhas mudando de cor.

Quando era Outono na Carolina do Sul, nunca parecia ser Outono. O verão não deixava-se vencer tão cedo! Quanto ao inverno na Rússia, eu preparo-me emocionalmente. É a Rússia e é inverno – logo, é frio. Eles têm boas roupas quentes de inverno aqui, então não é tão problemático. Eu amava o clima na Carolina do Sul. Eu costumava praticar esqui aquático, nadar, ficar no lago ou na praia o máximo possível. Todavia, sempre estive animado naquelas poucas vezes que nevaram.

Mesmo após todos estes anos na Rússia, eu ainda sou como uma criança na primera nevasca. Eu amo andar na neve, brincar com as crianças e então, voltando para o apartamento quente e agradável, observar o cair da neve.

Se nos mudarmos, devemos tentar levar a mobília, carro etc., ou apenas comprar quando chegar aí?” Transportar as coisas pode ser bem caro e complicado. A parte mais difícil é encontrar uma empresa na América que realmente conheça a legislação Russa e suas regulamentações. Quando estavamos voando para cá, por exemplo, podíamos ter declarado “excesso de bagagem” na alfândega e poupado um bom dinheiro (nós tínhamos enviado por navio um pallet de coisas para cá algumas semanas antes de nossa mudança, na sua maioria livros e alguns utensílios domésticos).

Ninguém nos disse para declarar e não tínhamos como saber, por isso acabamos pagando caro. Além disso, se a papelada no lado Americano estiver errada, você acabará pagando uma grande quantia em taxas alfandegárias quando sua carga chegar na Rússia. Assim, se você for mesmo enviar por navio, pergunte para a empresa se eles já enviaram para a Rússia antes.

Não importa para quantos outros países eles já enviaram antes. Faça perguntas difíceis e isto poupará seu dinheiro. Nós também não transportamos nosso carro de navio, mas porque fui avisado por um amigo que o fez que ele poderia ter comprado um carro da mesma marca e modelo aqui por menos do que ele pagou pelo envio desde a América.

A verdade é que a Rússia deseja que você compre um carro aqui, por isso as taxas alfandegarias são tais que você se sairá melhor comprando por aqui. Nós não compramos um carro porque taxis e ônibus são bem baratos aqui. Além do mais, os motoristas Russos não costumam dirigir defensivamente. Se você decidir-se por comprar um carro, as opções são várias mas os preços não são tão mais baratos do que na América.

Minha sugestão geral é que, a menos que seja algo com o qual você tenha um forte apego emocional, ou que você sabe que não encontrará em lugar nenhum, não despache nada por navio. Como eu disse, nós vivemos em uma cidade pequena, mas não houve nada de que precisássemos que não pudemos comprar aqui. Demorou algum tempo para conseguirmos algumas peças de mobília apenas porque mandamos fazer, mas obtivemos o que que desejávamos.

Quais são as dificuldades de viver em uma cidade pequena na Rússia?” Eu não consigo pensar em nenhuma dificuldade quanto a viver aqui. Eu mencionei a burocracia. Este é meu maior problema, mas eu não posso chamá-lo de dificuldade porque não é como se eu tivesse que preparar uma papelada a todo instante.

A Rússia tem mudado, de forma que temos muitas mercearias que têm de tudo quanto você precisa a um preço justo; eu amo ir ao mercado a céu aberto atrás de comidas e roupas; existem várias lojas de roupas comuns também.

Eu sei que a mídia Ocidental diz que as sanções estão sufocando a Rússia e que o povo passa por dificuldade. Eu li várias enquetes aqui e algumas pesquisas mais completas, que foram cuidadosamente apuradas. Em geral, cerca de dois terços dos Russos dizem que as sanções não impactaram em nada suas vidas.

Alguns da classe mais baixa da pobreza (pensionistas) dizem que eles foram afetados negativamente, assim como uns que são bem abastados (investidores estrangeiros, etc.). Os fazendeiros Russos amam as sanções. A agricultura está a todo vapor na Rússia e os custos de produção permanecem baixos.

Quais são as melhores coisas sobre viver em uma cidade pequena na Rússia?” Várias coisas me vêm à mente. Primeiro, eu gosto do ritmo de vida em uma cidade pequena. Nós andamos até o mercado, à loja ou para encontrar os amigos. Apreciamos nossa pequena igreja. Decidimos colocar nossos filhos na escola pública.

Não existem escolas particulares Ortodoxas aqui e nós não sabíamos então que era possível educar domiciliarmente na Rússia. Todavia, não nos arrependemos de tê-los postos na escola pública. Verificamos que a escola não tenta tomar nosso papel enquanto pais.

Existe MUITA comunicação entre a professora do Gabriel e Oksana. Oksana pode ligar para ela literalmente a qualquer hora do dia se tiver uma questão. O Gabriel pode nos ligar da escola se houver algum problema. A professora nos mantém bem informados. Por exemplo, na última semana ele esteve doente, mas ele precisava fazer uma prova, então mandamos ele após ter perdido um dia. Ele foi bem na prova, mas sua professora ligou para Oksana e disse gentilmente, “o Gabriel ainda parece fraco para mim. Eu não penso que ele precise ficar aqui até que ele realmente sinta-se melhor. Eu verei com vocês sobre todas as tarefas perdidas”.

Talvez ele receba toda esta atenção de uma escola da cidade grande, mas sei que aqui ele está bem vigiado. Ele chega em casa às 13:30 em ponto (12:30 se não há P.E.), de forma que ele não fica fora todo o dia. O maior lucro foi que ele aprendeu a língua rapidamente! Nós também conhecemos pessoalmente duas famílias daqui que educam domiciliarmente. Isto está tornando-se mais popular na Rússia e é possível em uma cidade pequena.

Segundo, assistência médica é de alta qualidade e de baixo custo. Eu já escrevi elogiando a assistência médica daqui várias vezes no meu blog e respondi a vários e-mails particulares. Nós não temos convênio médico porque nós achamos desnecessário. Pagamos por volta de R$29,50 por uma consulta.

Consultas são marcadas para 40 minutos. Eu nunca tive que esperar mais do que 5 minutos em uma fila. Estou em um grupo online de Americanos que vivem na Rússia. Conheci um Americano que realizou uma cirurgia de câncer, outro que fez uma cirurgia séria, e ambos disseram que não podiam acreditar em quão barato haviam sido suas cirurgias e tratamentos – não é possível comparar com o que teria sido na América. Eles estavam completamente satisfeitos com seu atendimento.

Eu conversei online recentemente com um Americano em São Petersburgo. Estávamos tentando nos reunir em algum momento para nos conhecermos pessoalmente. Ele estava recuperando-se de um transplante de rim... que não custou NADA! Quando ele disse que havia sido de graça, eu pensei que ele se referisse ao médico ou ao cirurgião.

Não, tudo havia sido de graça. Ele havia solicitado a cidadania, mas ele não a tinha obtido quando seus tratamentos começaram. Eu disse a ele que na América demorou um eternidade para que minhas idas ao departamento de emergência fossem pagas quando eu expeli duas pedras renais. Ele conseguiu um TRANSPLANTE e não pagou nada. Além disso, o cuidado médico emergencial é gratuito para todos. A qualidade e o custo da assistência médica é um grande benefício.

A outra vantagem da vida em uma cidade pequena é o custo de vida em geral. Nós verificamos um apartamento em São Petersburgo quando nos mudamos para cá porque pensamos que talvez quisessemos viver por lá.

Não consigo lembrar exatamente, mas eu penso que era por volta de quatro vezes o que nós pagávamos pelo mesmo metro quadrado aqui. Os “dachniki” são as pessoas da cidade grande que vem para cá aos finais de semana (a maioria no verão). Eles frequentam nossas mercearias e mercados e compram tudo o que podem. Nós os ouvimos comentar o quão barato é comprar alimentos aqui.

Eu penso que a adaptação foi mais fácil para nós aqui em uma cidade pequena. Nós visitamos São Petersburgo a negócios algumas vezes. Eu amei viver por lá quando éramos apenas a Oksana, Roman e eu. Mas com duas crianças pequenas nós achamos mais difícil de nos virar por lá. Talvez seja simplesmente porque eu e a Oksana fomos criados em cidades pequenas. Eu teria muita dificuldade em uma cidade grande na América! Internet, remédios e habitação é muito, muito mais barato aqui do que na América.

Quanto custa para viver em sua pequena cidade?” Nós vivemos em um apartamento de dois quartos. O apartamento mais os gastos com serviços custam cerca de R$1.150. Ele é bem pequeno (por volta de 60m²), mas estamos bem por enquanto, uma vez que o Roman, nosso filho mais velho, tem um apartamento em São Petersburgo. Visto que não temos carro, não temos muitas outras despesas. É difícil estimar quanto gastaria por mês uma família, porque diferentes famílias têm tipos diferentes de despesas.

Por exemplo, conhecemos uma família de seis (marido, esposa, avó e três crianças) que vivem com R$2.700 por mês aqui (eles têm a posse da propriedade, então eles não pagam alugueis ou hipoteca, tampouco despesas com carro). É uma receita justa e eles têm que investir sabiamente seu dinheiro, mas eles estão conseguindo.

Uma casa decente em Luga, para uma família do nosso tamanho custa cerca de R$190.000. Lembrem-se: as casas aqui tendem a ser menor do que na América. Uma casa nova com cerca de 1.500m² seria não mais do que R$230.000. Eles me disseram, todavia, que uma vez que não sou um cidadão, eu não posso obter um financiamento. Eu tirei parte da minha aposentadoria privada para quando encontrarmos a casa certa.

Que tipo de emprego eu posso arrumar na Rússia para ajudar minha família?” Visto que eu não tenho um emprego formal aqui, vou prefaciar minhas observações dizendo que minha resposta será baseada nas pessoas com quem conversei aqui.

As duas áreas que parecem ser as mais “convenientes” são tanto o ensino quanto a tecnologia da informação. Falantes nativos do Inglês podem encontrar facilmente estudantes por aqui. Eu poderia, se quisesse, dar aula para várias turmas na escola particular de Inglês, e poderia ter quantos alunos particulares quanto quisesse. A má notícia é que o pagamento não é tão alto, embora, se você construir sua clientela de alunos particulares, pode ser muito bom.

Ademais, a internet tem aberto muitas oportunidades para o ensino. Algumas pessoas na Rússia ensinam alunos em outros países além de seus alunos Russos. Tenho um par de amigos da TI que mudaram-se para cá da América e aindam mantêm seus clientes no exterior. Eles parecem sair-se bem financeiramente. Estas são as duas áreas que eu sei que você não precisa ser fluente em Russo. Obviamente, se seu Russo for muito bom então você tem mais opções com empresas.

“O Putin, ou o governo Russo, em geral, torna a vida dos Americanos mais difícil aí? Não. Algumas leis Russas são duras no que tange a imigração. Obter a permissão de residência é o agravante, coforme disse. Se eu obter minha (permissão de) Residência, ficarei bem por 3 anos. Então irei solicitar uma (permissão de) Residência Permanente, que durará por 5 anos. Após estes 5 anos eu estarei elegível para solicitar a cidadania, se tiver interesse.

Se alguém quiser trabalhar aqui, então terá que obter um visto de trabalho para começar e passar em um exame de Russo (existem agências que te auxiliam nisto)! Você também terá que viver no oblast (região) em que for trabalhar.

Não preocupo-me com um visto de trabalho, já que sou aposentado, então não estou a par de todos as questões envolvidas. Penso que você teria que ter um empregador que cuidasse desse tipo de coisa. Em geral, todavia, o governo Russo tenta não interferir na vida das pessoas, nem de longe como faz o governo Americano.

“O que é que irrita sobre a vida na Rússia?” As mentiras contadas pelos jornalistas Ocidentais, repórteres e políticos sobre a vida na Rússia e seu povo.

O que é a pior coisa sobre viver na Rússia?” A saudade da nossa família e amigos. Eu tenho dois filhos adultos vivendo na América. Dizer adeus a eles e suas famílias quando nós voltamos para cá depois de nossa primeira visita foi muito doloroso. Eu costumo trabalhar para meu irmão, então podemos nos ver com frequência. Eu não sinto saudade de ter que ir trabalhar, mas de nosso tempo juntos. Ele e sua esposa foram tão bons para nós em nossa recente visita de volta em casa. Sinto saudade de poder sentar com os velhos amigos e conversar em Inglês sobre tudo, desde o futebol do colégio até o significado da vida.

Não obstante, nós gostamos de viver nesta cidade e em uma cultura cujos valores e crenças que ensinamos para nossas crianças não são censurados pela maior parte da sociedade.

Apesar do que eles dizem, a situação política aqui é muito mais estável do que na América, e a despeito do que você ouve, o país não é governado por um ditador. Eu lamento, sinceramente, a fragmentação política e social da América.

Principalmente, penso que é bom para mim estar aqui por causa dos meus dois filhos mais novos. Eu posso fazer isto apenas com minha Previdência Social, sem todas aquelas dificuldades financeiras que tínhamos na América.